Resíduos

Proteção de dados é parte essencial para a circularidade de eletroeletrônicos

Proteção de dados é parte essencial para a circularidade de eletroeletrônicos - Fitec Tec News

 

Dados comprovam o quanto dependemos dos equipamentos eletroeletrônicos: segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), a indústria brasileira vendeu ao varejo 117,7 milhões de aparelhos, como televisões, geladeiras, fogões e aparelhos de ar-condicionado em 2024, aumento de 29% em relação às vendas de 2023.

Já em relação ao celular, tão presente em nossas vidas, de acordo com o módulo anual da PNAD Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024-2025), 90,5% da população que vive em áreas urbanas e 77, 2% nas regiões rurais tem ao menos um aparelho para uso pessoal.

Eis que essa demanda desencadeia outro desafio: a proteção de dados para a destinação correta de obsoletos, explica Fernando Rodrigues, gerente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE).

No caso das empresas, esses trâmites devem estar de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Quando são descartados no lixo comum, doados ou repassados sem os devidos cuidados, dados pessoais podem ser acessados por terceiros, aumentando o risco de fraudes, golpes ou uso indevido de informações”, alerta o especialista de entidade, que conta em seu site com uma relação de pontos de recebimento de equipamentos eletrônicos.

Uma das primeiras recomendações é realizar um backup de documentos e imagens importantes, além de apagar informações e dados sensíveis, além de retirar os chips, para posteriormente destinar corretamente e enviar às estações específicas de reciclagem. “O descarte inadequado agrava problemas ambientais, já que esses produtos podem conter metais pesados, prejudiciais à natureza e saúde humana”, alerta Rodrigues.

Dispositivos seminovos

Um levantamento com 92 mil consumidores feito pela empresa de comércio de smartphones seminovos Trocafone, divulgado pelo site Viva, mostrou que a compra é influenciada pelo preço e pela disponibilidade de termos de segurança e garantia, sendo que as trocas acontecem a cada dois ou três anos (60%), com uma pequena parcela que faz isso anualmente (17%).

Entretanto, mesmo com a opção de trocar por tal modelo seja considerada sustentável e econômica, somente 29% dos respondentes assinalou a preocupação ambiental como fator determinante para a aquisição. E esse movimento é urgente: a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o Brasil produza mais de dois milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, mas recicla apenas 3% desse total.

Outro ponto a ser considerado é a necessidade real de troca: um estudo da Green Eletron revela que 60% dos celulares descartados por ano no país ainda estavam em condições de uso. Segundo Stephanie Peart, Head da Leapfone, empresa especializada em aluguel de celulares, a opção de assinatura surge como alternativa mais consciente. “É como um ciclo de reaproveitamento, em que o celular que deixou de atender uma pessoa passa a ser útil para outra”, comenta.

“Grande parcela dos brasileiros guarda celulares em casa, mesmo sem os utilizar e muitos poderiam ser doados, revendidos ou reciclados de forma adequada, evitando que acabem em aterros sanitários e contaminem o meio ambiente”, arremata a gestora, em artigo ao ESG Inside.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Divulgação – ABREE

 

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