Um levantamento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) revela uma realidade desanimadora: 4,69 milhões de mulheres vivem em domicílios sem água canalizada no Brasil e apenas 286 municípios atingiram a cobertura de 100% a esse público.
Fazendo um recorte, o problema é ainda maior: das 16,3 milhões de pessoas que viviam nas favelas e comunidades urbanas em 2022 (base do último Censo), 347 mil mulheres — 7,4% do total feminino sem acesso no país — não tinham água canalizada em casa. A cidade de Belém (palco da COP30) lidera esse ranking, com mais de 28 mil mulheres em favelas sem água. Já São Luís vem em segundo, com mais de 21 mil, seguida de Manaus, com 20,2 mil.
“Os números da ANA [íntegra aqui] fazem um convite: olhar para quem ainda não tem acesso e entender por que, quando o sistema falha, as consequências recaem mais pesado sobre alguns do que sobre outros. Sobre mulheres que cuidam, sobre negros e indígenas que habitam territórios esquecidos, sobre moradores de favelas invisibilizados pelas médias nacionais”, informa comunicado.
Cabe salientar que essa situação não está apenas no Brasil: dados das Nações Unidas frisam que 2,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável gerida com segurança e 3,4 bilhões não dispõem do básico em saneamento, condições que afetam mulheres e meninas.
Lideranças femininas no futuro da água
Para Sophie Borgne, presidente do segmento de Água e Meio Ambiente da Schneider Electric (confira participação da companhia no SITEC Ambiental 2026), a água é ainda vista como um item utilitário de baixo custo na planilha, em vez de um ativo estratégico.
A especialista salienta que quando as mulheres participam igualmente das decisões relacionadas aos recursos hídricos, os serviços tornam-se mais inclusivos, eficazes e sustentáveis. “Esse princípio não se aplica apenas ao acesso, mas também à liderança, ao talento e à força de trabalho do futuro”, diz.
A Schneider Electric, por meio de iniciativas setoriais, já capacitou mais de 1 milhão de jovens em todo o mundo em tecnologias a favor da sustentabilidade, tem como propósito direcionar habilidades para ampliar o pool de talentos e acelerar a entrada de mulheres em carreiras de alto impacto. “Para atrai-las e retê-las, o setor precisa modernizar não só a sua infraestrutura, mas também seus canais de formação de talentos. Isso significa reformular a natureza do trabalho para evidenciar a tecnologia, a inovação e o propósito em seu núcleo”, arremata a gestora.
Construir caminhos mais sólidos para o início de carreira por meio de parcerias com escolas, grupos STEM (do inglês para ‘Science, Technology, Engineering and Maths’, ou ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e programas de qualificação profissional, bem como criar ambientes de trabalho inclusivos com liderança feminina visível, mentoria e redes de apoio são alguns dos pontos para traçar um futuro promissor e mais acessível às mulheres e à água no mundo, finaliza Borgne.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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