Os fortes temporais que atingiram a zona da mata mineira e que também se espraiam, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), outros estados do Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) expõem a necessidade urgente de medidas de adaptação e resiliência urbana, bem como estratégias conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza (SBN) de longo prazo para reduzir os impactos de enchentes e deslizamentos, integrando infraestrutura urbana aos processos naturais.
De acordo com especialistas da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que reúne 80 profissionais que atuam na conservação da natureza e na proteção da biodiversidade, diante da aumento dos eventos climáticos extremos nos próximos anos, a implantação de SBN compreende medidas como o reflorestamento e descompactação dos solos; jardins de infiltração; lagoas pluviais e bacias de retenção, além de corredores verdes, praças vegetadas e parques lineares.
Um estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica já alertava para o maior registro de desastres relacionados às chuvas no Brasil, concentrando 44% dos eventos ocorridos nas últimas três décadas. Os associados a chuvas extremas aumentaram 320% no país na atual década, destacou a pesquisa, divulgada no início do ano.
“O aumento não é apenas em frequência, mas também em gravidade. Os eventos estão mais intensos, mais destrutivos e atingem um número cada vez maior de pessoas”, endossa Ronaldo Christofoletti, membro da RECN e professor do Instituto do Mar da Unifesp, ao Tribuna Hoje.
Celeridade em investimentos no planeta
Para que essas soluções saiam do papel, um dos grandes entraves está no incentivo financeiro. E o cenário pede ainda mais celeridade: de acordo com o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) existe uma proporção de aproximadamente US$ 30 gastos em atividades destrutivas para cada US$ 1 destinado à proteção e restauração ambiental.
Um dos destaques do levantamento é justamente para as tendências de investimentos públicos e privados em SBNs, que em números já somaram US$ 220 bilhões, dos quais cerca de 90% foram oriundos de fontes públicas, enquanto da parte privada totalizou US$ 23 bilhões.
“O Pnuma reitera que a transformação financeira para a natureza não é apenas uma questão ambiental, mas uma prioridade para o desenvolvimento sustentável, exigindo liderança coordenada de governos, setor privado, instituições financeiras internacionais e sociedade civil”, conclui o comunicado do órgão.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação – Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG)




