Quem acompanha o Portal TECNEWS conferiu uma série notícias da COP30, inclusive como a imprensa se preparou para a cobertura da conferência, bem como as ações de governos e empresas que foram apresentadas no evento. Mas sabemos dos desafios em tirar as intenções do papel, seja pela falta de recursos, de incentivos ou até mesmo pela desinformação, e a comunicação pode ser um grande impulso para que os planos virem ações a favor do planeta.
Um dos pontos para sair do discurso está justamente na tradução de conceitos como adaptação, mitigação e sustentabilidade para uma linguagem acessível, capaz de se conectar naturalmente com a vida cotidiana. É o que defende Giselle Cahú, analista na Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), com foco em comunicação estratégica institucional e de projetos.
“A comunicação não pode ser tratada como um apêndice ornamental das políticas públicas. Em um cenário de crescente desconfiança nas instituições e fragmentação social, a forma como o poder público e as organizações que atuam na mediação entre políticas e territórios se relacionam com as comunidades torna-se determinante para consolidar participação social, confiança e senso de pertencimento”, frisa a jornalista.
Ela acrescenta ainda que a UNESCO reconhece a comunicação como estratégica de desenvolvimento (com indicadores, inclusive) e por meio de programas e redes internacionais de conhecimento, processos participativos se fortalecem. “O risco de negligenciar esse aspecto aparece de forma clara nas cidades. Quando os vínculos comunitários se enfraquecem, a participação diminui, a confiança nas instituições se perde e o espaço público deixa de ser vivido como lugar de encontro. Sem comunicação qualificada e espaços reais de diálogo, torna-se difícil sustentar políticas públicas legítimas e um projeto coletivo de futuro”, alerta a gestora.
Com a palavra, a natureza
A interpretação ambiental está se tornando uma das principais ferramentas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para aproximar pessoas e natureza. A proposta é transformar as trilhas, placas ou peças expositivas dispostas nas unidades de conservação geridas pelo órgão em uma ponte entre os mais diversos públicos e a natureza.
Por meio de estudos de conteúdo (mais informações aqui), definição de narrativas, contratação de empresas especializadas e até a avaliação de como o público reage aos materiais, a ação tem como foco a reflexão de maneira simples e sem sobrecarregar o público, garantindo que isso funcione como estratégia técnica de comunicação e não um improviso encaixado durante a visita.
“Trata-se de um conjunto de estratégias de comunicação destinadas a revelar os significados dos recursos ambientais, históricos e culturais, a fim de provocar conexões pessoais entre o público e o patrimônio protegido”, frisa Serena Turbay, coordenadora substituta da Coordenação de Estruturação da Visitação no órgão (COEST).
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Rogério Cassimiro/MMA




