A busca pela gestão de recursos hídricos impulsiona iniciativas que superam muitos desafios, pois envolvem desde o gerenciamento de perdas até o abastecimento próprio. Traçando um panorama, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mais de 70% dos municípios dependem de mananciais vulneráveis a secas prolongadas e seriam necessários até 2035 mais de R$ 110 bilhões para reduzir riscos críticos de abastecimento.
Para Lorena Zapata, diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da Engeper Ambiental e Perfurações, esse cenário evidencia uma lentidão de investimentos públicos frente à demanda cada vez mais crescente, impactando negativamente diversos setores econômicos, que têm buscado soluções próprias de abastecimento, como forma de garantir continuidade operacional e reduzir riscos.
“A escassez dos sistemas públicos e a pressão sobre os mananciais tornam a infraestrutura hídrica própria um elemento estratégico de competitividade, permitindo que as empresas mantenham suas operações, minimizem riscos de desabastecimento e fortaleçam sua posição diante de um mercado cada vez mais exigente”, explica a gestora.
Uma prática vem do Pará, que por meio do programa Água para Todos, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do estado (Semas) implantou um sistema de aproveitamento de água pluvial purificada para consumo humano, em bebedouros e também na cozinha, no preparo da alimentação nas instituições de ensino.
Além das escolas, a iniciativa também contempla uma Unidade Básica de Saúde (UBS), quatro empreendimentos de sociobiodiversidade de base comunitária e um sistema instalado na comunidade de Santo Amaro, em Benevides, totalizando 10 unidades de captação, armazenamento e tratamento de água da chuva já implantados, informa a secretaria.
“O programa nasce de uma condição de realidade ribeirinha, onde as pessoas habitam em lugares cercados de água, mas não têm acesso à potável. Dessa forma, o projeto proporciona dignidade de justiça hídrica”, comemora o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental (Sagra), Rodolpho Zahluth Bastos, da Semas.
Redução de perdas e reúso
Na outra ponta, o país vive um paradoxo: enquanto há essa demanda constante, o país desperdiça 40,3% de toda a água tratada antes de chegar ao consumidor, o equivalente a 5,8 bilhões de metros cúbicos por ano, volume suficiente para abastecer aproximadamente 50 milhões de pessoas. Já em outros países, esse problema não chega nem a 15%.
O uso racional da água é uma pauta defendida pelos setores produtivos, recomendando a necessidade de revisão dos processos de uso e a adoção de fontes como o reúso (confira conteúdo que abrange o tema aqui) e captação de água da chuva.
“É fundamental que sindicatos e empresários se antecipem. O uso racional da água deve ser incorporado à rotina dos negócios como estratégia de sustentabilidade e de redução de custos”, afirma Cristiane Cortez, assessora do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
“O reúso deixou de ser uma discussão futura. Hoje, impacta diretamente a operação, o planejamento e o caixa das empresas, sobretudo em um ambiente de restrições hídricas recorrentes”, arremata Lorena Zapata, da Engeper.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: João Caio – Agência Pará




