Antes, ao comprar um produto no supermercado, por exemplo, geralmente se observava itens importantes como preço e prazo de validade, além da qualidade e satisfação ao consumi-lo. Hoje, a maneira como as empresas comunicam seus avanços nos compromissos ambientais, sociais e de governança (ESG) tornaram-se ponto estratégico e de reputação nessa escolha.
É o que aponta a pesquisa “Conversas que Constroem Reputação”, elaborada pela Textual Comunicação com a BALT Pesquisa e Consultoria, que ouviu 600 pessoas de todas as regiões do país e identificou uma nova forma da percepção de confiança no Brasil, sustentada pelo tripé transparência, utilidade e autenticidade.
A sustentabilidade foi o terceiro assunto mais pedido (29%), atrás de saúde e inovação/tecnologia. Colocando a lupa, o tema é desejado por uma minoria ativa (também 29%), 64% são neutros, ou seja, não pedem ativamente, mas aceitam, e somente 7% o rejeitam. Marcas que explicam como vão reduzir os impactos ambientais são mais confiáveis para 77% das pessoas entrevistadas, por sua vez.
Para Carina Almeida, sócia-fundadora da Textual, a jornada ESG passou a funcionar como infraestrutura de confiança. “As marcas passam a ser avaliadas pela capacidade de explicar processos, demonstrar coerência e oferecer informação confiável, funcionando como instâncias de validação no relacionamento com a sociedade. Olhar para isso reforça nosso propósito de promover conexões legítimas das empresas com a sociedade, gerando transformação”, diz.
Instituições financeiras também destacam ESG
O mais recente relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o DataFolha revela que 80% das instituições financeiras atribuíram notas acima de 7 para a importância do tema ESG, e 63% afirmam que a pauta ganhou mais relevância nos últimos 12 meses. Sobre a maturidade, os bancos são os mais avançados, com 83% publicando relatórios com desempenho ESG regularmente contra apenas 20% das assets e 39% das demais instituições.
Entretanto, a média de importância ao assunto caiu de 8,2 da última edição da pesquisa (2021) para 7,9 na versão atual (2025). Para Carlos Takahashi, diretor da Anbima, as instituições brasileiras estão avaliando a utilização dos critérios ESG de forma mais crítica e pragmática, o que justifica essa queda.
Em entrevista ao Funds Society, o tema deixou de ser uma novidade dentro das organizações, passando a fazer parte gradualmente da rotina delas. “Em 2021, ESG estava no auge da visibilidade, impulsionado pela pandemia, que mostrou o quanto era importante dar atenção a questões sociais e climáticas”, endossa Takahashi.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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