Mudanças Climáticas

Estudos brasileiros auxiliam no cálculo de carbono nas áreas de celulose e produção de leite

Estudos brasileiros auxiliam no cálculo de carbono nas áreas de celulose e produção de leite - Fitec Tec News

 

O Brasil é potente no quesito pesquisa científica, com muitas delas dedicadas ao meio ambiente: de acordo com o relatório Bori-Elsevier, divulgado pelo Estadão, a quantidade de artigos produzidos em instituições brasileiras cresceu 4,5% em relação a 2023, e chegou a mais de 73 mil documentos.

 

Um deles foi publicado na Global Change Biology, revista de referência internacional em mudanças climáticas, sobre a criação de modelos estatísticos inéditos que aumentam a precisão no cálculo de carbono estocado em florestas plantadas. Os autores, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Cirad (França), usaram base de dados e amostras de áreas operacionais coletadas em parceria com as empresas Bracell, CMPC, Klabin, Suzano, além das instituições Embrapa Florestas, Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) e Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

 

Com a medição de mais de 2 mil árvores em 27 locais de diferentes regiões do país, os autores desenvolveram equações que reduziram o erro das estimativas de carbono em 10% na parte aérea (tronco, galhos e folhas) e em até 60% nas raízes, tradicionalmente mais difíceis de cálculo.

 

O setor de florestas plantadas desempenha um papel estratégico nessa mitigação, sendo responsável por capturar mais de 1,8 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente no país, informa a Bracell, especialista na produção de celulose solúvel, que já aplica esses novos modelos em seus inventários. Esses novos modelos desenvolvidos no estudo foram aplicados em plantações de eucalipto e pinus, espécies que compõem a base florestal da indústria brasileira de papel e celulose.

 

“Melhorar a precisão nas estimativas desse carbono é fundamental para que o país cumpra suas metas no Acordo de Paris e para que empresas do setor possam acessar, com mais confiança, os mercados voluntários e regulados de carbono”, frisa João Augusti, gerente de Sustentabilidade da companhia.

 

A íntegra do estudo pode ser acessada neste link.

 

Produção leiteira

 

Outra pesquisa, essa da Universidade de São Paulo (USP), da Embrapa Gado de Leite com apoio da Cargill, revelou que pecuária leiteira no Brasil emite, para cada litro de leite produzido, uma quantidade de gases de efeito estufa (GEE) que é menos da metade do volume emitido em média pelo setor mundial.

 

Em números, o estudo, divulgado pelo Globo Rural, analisou 28 fazendas em sete Estados, totalizando 24,3 mil animais que produzem anualmente 162,1 milhões de litros de leite (0,45% da produção nacional), cujo cálculo resultou em uma média de 1,19 quilo de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) para cada quilo de leite produzido, enquanto a global está estimada em 2,5 quilos de CO2eq por quilo de leite.

 

O segredo está na maior produtividade das vacas, segundo o levantamento. Para Pietro Baruselli, professor de Reprodução Animal na USP, as fazendas mais eficientes emitem menos GEE para entregar um litro de leite ao consumidor, diferentemente das que não estão focadas nessa eficiência, haja vista que acabam por ocupar muitos recursos naturais e emitindo mais gases por litro de leite produzido, consequentemente.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

 

Foto: wirestock; Freepik

 

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