Sabemos que tocar um negócio, independentemente do tamanho, requer não apenas força de vontade, mas também financeira por meio da concessão de crédito. E as ações ESG estão, literalmente, sustentando e abrindo portas para esses aportes, uma mudança estrutural na lógica de avaliação econômica.
Miriam Lüttgen, presidente da Sustentalli, cooperativa de especialistas em sustentabilidade e governança, argumenta que esse movimento não tem mais volta e é uma oportunidade para as empresas terem melhores condições de financiamento, maior acesso a capital e ampliação do interesse de investidores institucionais por meio dessas ações.
As organizações, aliás, que demonstram capacidade de mapear riscos climáticos, estruturam sua governança e monitoram impactos socioambientais tendem a ser percebidas como menos expostas a contingências futuras. Prática que não pode ser paralela, mas integrante em todas as operações, arremata a gestora. “O mercado já precifica governança, gestão de riscos e responsabilidade socioambiental. Empresas que estruturam suas práticas ESG de forma técnica e estratégica ampliam o acesso ao crédito e reduzem o custo de capital. Não se trata de discurso, mas de competitividade”, diz.
Compliance
Noticiamos anteriormente como a Due Diligence e o compliance são ferramentas cruciais para gerar valor real e apoia em momentos de decisões críticas dos negócios, pois esses instrumentos estão se tornando estratégicos para conseguir créditos.
E no meio rural, essas práticas estão sendo determinantes: a Resolução CMN nº 5.193, do Banco Central, publicada em 2024, torna obrigatória a partir deste ano a verificação de supressão de vegetação nativa por meio de sistemas oficiais como o PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), além da análise da regularidade ambiental dos imóveis rurais.
Segundo José Renato Alberto, especialista em governança e transformação digital no agronegócio, a norma consolida uma tendência já em curso e transforma o compliance ambiental em critério formal de elegibilidade financeira. “Há quem sustente que essas exigências penalizam o produtor rural e ampliam a burocracia do crédito. Esse argumento, porém, não se sustenta: a Serasa Experian indica que mais de 90% das áreas de soja monitoradas na Amazônia Legal e no Cerrado estão em conformidade socioambiental, sem sobreposição de desmatamento aos limites dos imóveis, com base em CAR (Cadastro Ambiental Rural), dados públicos e imagens de satélite”, frisa, em artigo para o Segs.
O especialista explica ainda que a maior parte da produção já opera dentro das regras e que o ponto mais desafiar se concentra em uma parcela produtores que, historicamente, “acessou crédito mesmo carregando passivos ambientais relevantes, distorcendo a concorrência e elevando o risco sistêmico”, conclui.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação




