Água e efluentes

Ações de enfrentamento à escassez beneficiam regiões rurais no abastecimento de água

Ações de enfrentamento à escassez beneficiam regiões rurais no abastecimento de água - Fitec Tec News

Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que em 2023, 85,9% dos domicílios tinham acesso à rede geral de abastecimento de água, sendo 93,4% em áreas urbanas e 32,3% nas rurais. Considerando apenas as zonas rurais, no entanto, nenhuma região alcançou 50%. A luta contra a escassez está nos planos também.

Para esse enfrentamento, ações são feitas por entidades e empresas, como o caso da Mamba Water, marca de água em latas e parte de HEINEKEN Spin, ecossistema de negócios de impacto do Grupo HEINEKEN, que instalou Estações de Tratamento de Água (ETA) em duas comunidades no Pará, em parceria com Ball Corporation, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Ambipar e Reaqt Water Technologies.

As unidades que começaram a funcionar em dezembro, fornecem água potável a 546 pessoas nas comunidades da Ilha do Combu, em Belém, e do Taiassuí, em Benevides. “Boa parte das famílias não tem acesso à água potável e a maioria não tem condições de comprar um garrafão de água. E, muitas vezes,  bebem a água do rio, imprópria para o consumo”, explica Iracema Nascimento, líder comunitária na Ilha do Combu.

Para Breno Aguiar de Paula, gerente de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN, a escuta no território possibilitou o melhor direcionamento das necessidades e aplicação de soluções. “No Pará, encontramos comunidades com desafios severos e particulares de acesso à água, e foi essa realidade que orientou cada decisão técnica na edição do Mamba Water Project”, comenta.

O projeto foi, primeiramente, consolidado em Acopiara (CE), onde viabilizou o acesso a mais de 16 milhões de litros de água, e também já doou mais de 1 milhão de litros para uma favela do Rio de Janeiro, em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA), durante o carnaval de 2025.

 

Pesquisa e desenvolvimento contra a escassez

 

O investimento em pesquisa também é essencial para melhorias no abastecimento em regiões vulneráveis. A Universidade Estadual do Piauí (Uespi) está desenvolvendo uma tecnologia para melhorar a qualidade da água consumida por famílias da zona rural do semiárido. Trata-se de um sistema fotocatalítico, utilizando radiação solar direta para tratar a água armazenada em cisternas e reservatórios domésticos, o que dispensa produtos químicos e aplicada em áreas com pouca estrutura, inclusive.

Geraldo Eduardo, professor-coordenador do projeto, alerta que o inadequado do hipoclorito de sódio, muito comum no tratamento, pode causar intoxicação e não elimina todos os microrganismos. “Nosso objetivo é desenvolver um sistema que utilize a radiação solar para o tratamento da água, já que muitas comunidades dependem de barreiros ou de caminhões-pipa, frequentemente contaminados. Queremos uma alternativa que não dependa de hipoclorito”, explica, ao site Cidade Verde.

O projeto, criado pelo Curso de Química e pelo Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ), atua no Campus Torquato Neto, em Teresina, e recebeu R$ 25 mil do edital Uespi Tech II.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Divulgação

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