Rastreabilidade. Essa é a palavra da vez quando o assunto é conformidade na cadeia de reciclagem de resíduos. Essa auditoria, além de garantir que todos os processos estão em andamento sem fraudes, proporciona uma transparência a colaboradores, governos e sociedade, que fazem a economia circular, literalmente.
Entretanto, apenas o uso de planilhas e de empirismos podem atrapalhar esse procedimento. Eis que a tecnologia pode ser uma aliada, tornando as etapas mais precisas. Um case vem da empresa brasileira Ciclopack, validada pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), que desenvolveu uma solução que cria uma espécie de “token físico” no material a ser reciclado.
Batizado de CicloID, a solução baseada em nanotecnologia insere identificadores moleculares diretamente no material durante o processo produtivo, criando uma assinatura físico-química que o acompanha em toda a jornada circular, até a separação pós-consumo em cooperativas.
Leonardo Roriz, CEO da Ciclopack, explica que a validação é feita por um sistema chamado espectroscopia NIR (infravermelho próximo), ou seja, um feixe de luz “lê” a composição e compara com o modelo de referência calibrado pela equipe técnica da empresa, identificando qualquer inconsistência com o declarado.
“Quando insere a nanotecnologia no reciclado, consegue atestar a origem (de aterro ou região litorânea, por exemplo) e o teor real de conteúdo. Na separação pós-consumo, cooperativas com equipamentos automatizados identificam que aquela embalagem possui essa tecnologia, acessando informações sobre marca e lote, mesmo sem o rótulo presente”, complementa Roriz.
Fator humano na jornada da reciclagem
As pessoas também não devem ser 13excluídas dessa jornada, sendo um fator determinante para que a reciclagem se torne ainda mais efetiva e, principalmente, justa a esses trabalhadores.
Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, startup brasileira pioneira em logística reversa inteligente, em artigo ao CicloVivo, frisa que a rastreabilidade precisa ir além da digitalização de dados, mas uma combinação de sistemas de controle operacionais, sem deixar de lado o respeito à mão de obra qualificada.
Para o gestor, quando há a implantação de políticas de sustentabilidade e responsabilidade social, se faz necessária a adoção de modelos que combinem rastreamento digital com processos robustos auditáveis e de validação. “Sem essa estrutura, não é possível garantir que os materiais reciclados utilizados em sua cadeia produtiva foram adquiridos de forma ética e respeitando a dignidade dos catadores”, pontua Oliveira.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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