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Eleições no Brasil e COP17 da biodiversidade na Armênia: especialistas falam de perspectivas para 2026

Eleições no Brasil e COP17 da biodiversidade na Armênia especialistas falam de perspectivas para 2026 - Fitec Tec News

O ano de 2025 foi marcado por grandes eventos climáticos e globais como a COP30, em Belém. E em 2026 o cenário não poderia ser diferente, como as eleições que acontecerão no Brasil e COP17 da Biodiversidade, na Armênia.

 

Fazendo uma projeção entre COP30 e 2026, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ao Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), comenta que este ano será guiado por três eixos centrais: a construção de um mapa do caminho para reduzir a dependência de combustíveis fósseis; a aceleração no combate ao desmatamento; e a ampliação da restauração florestal.

 

Já o climatologista Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ressalta que a política de combate ao desmatamento em todos os biomas brasileiros, associada à restauração florestal, representa um grande desafio, mas também pode trazer oportunidades.

 

“A ciência, conforme demonstrado no Pavilhão de Ciência Planetária, na COP30, indica que diversos biomas brasileiros — como a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga e o Pantanal — estão próximos do ponto de não retorno. Perder esses biomas significaria não apenas aumentar as emissões de gases de efeito estufa, principal fonte de emissões no Brasil, mas também comprometer a biodiversidade e a produção de alimentos”, completa o especialista membro da RECN, entidade que reúne 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior, que desenvolvem trabalhos sobre conservação da natureza e proteção da biodiversidade.

 

Eleições

 

Sobre as eleições, os brasileiros neste ano irão às urnas para eleger o presidente da República, 27 governadores, 54 senadores — dois por estado —, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais (DF). Segundo pesquisa da Ipsos-Ipec (2025), encomenda pelo Instituto Clima e Sociedade, divulgada pela revista Cenarium, 67% dos entrevistados concordam que os projetos ambientais dos políticos vão influenciar e que essas propostas serão decisivas no momento do voto.

 

Na opinião de Rafael Loyola, membro da RECN e diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), o meio ambiente ganha destaque na disputa pela Presidência. “As abordagens envolvem a dependência de combustíveis fósseis e a influência do licenciamento. Além disso, a redução do desmatamento, com o compromisso do Brasil de zerar o desmatamento até 2030, será um tema central, especialmente no contexto eleitoral”, aposta Loyola.

 

COP17

Com previsão a ocorrer em outubro, a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia, frisará os avanços no financiamento para a biodiversidade global e no desenho de um mecanismo de repartição de benefícios para sequências genéticas digitais (DSI). Realizada a cada dois anos e mais conectada à agenda climática, a COP17 também deve promover a primeira grande avaliação do progresso dos países no cumprimento das 23 metas do Marco Global de Biodiversidade (GBF), também conhecido como Acordo de Kunming-Montreal.

Em entrevista à Diplomacia Business, o embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian, ressalta que a edição do evento terá como foco a interconexão dos desafios globais sobre a mudança climática, como a perda de biodiversidade, degradação da terra, poluição e declínio ambiental.

 

“A COP17 será uma oportunidade para reafirmar nosso compromisso de longo prazo com a ação ambiental. A Armênia, em consulta com parceiros internacionais, discute ativamente possíveis novas iniciativas que possam estruturar e respaldar a implementação do Quadro Global de Biodiversidade, como o fortalecimento de soluções baseadas na natureza e nos ecossistemas, a expansão de áreas protegidas, o aprimoramento da gestão sustentável de florestas e recursos hídricos, e desenvolvimento de sistemas de monitoramento da biodiversidade fundamentados na ciência”, conclui o embaixador.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: wavebreakmedia_micro; Freepik

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