Uma sigla ganhou protagonismo durante a COP30, ocorrida em novembro último em Belém: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido pela sigla em inglês TFFF. Proposto pelo governo federal em outra COP, a 28 em Dubai (2023), o fundo tem como propósito atingir US$ 125 bilhões (sem um prazo definido) para apoiar países que preservam suas florestas tropicais.
Na COP30, as articulações evidenciaram o potencial do TFFF para apoiar a proteção de mais de 1 bilhão de hectares em mais de 70 países em desenvolvimento, e essa medição se dá com base dados de satélite sobre a cobertura florestal. Muito embora sejam ainda perenes, os rumos desse fundo vislumbram inspirações e ações dentro do universo corporativo, com o redesenho de responsabilidades em relação a impactos ambientais nas cadeias produtivas, especialmente as que envolvem recursos naturais.
Florestas tropicais
Ana Paula Arbache, criadora e coordenadora do Programa de Formação de Talentos em ESG para Hotelaria com a Resorts Brasil, em artigo ao Hotelier News, enfatiza que o mecanismo ainda em 2025 já contava com compromissos de aporte superiores a US$ 5,5 bilhões de países como Noruega, França e Indonésia, representando mais de 90% dos com florestas tropicais.
Para a gestora, tal iniciativa amplia o acesso ao capital sustentável a projetos governamentais e empresariais, contribuindo para um sistema que possa direcionar recursos estrategicamente a essas propostas, rumo à redução de emissões de gases de efeito estufa.
Estratégias
João Roncati, CEO da consultoria People+Strategy, frisa que esse é o momento de as empresas se anteciparem a alinhar a estratégia ESG ao cenário atual, o que exige estruturação, governança, rigor e visão de longo prazo. Decisões de investimento ou reposicionamento devem considerar risco, custo-benefício e possíveis cenários regulatórios, complementa o gestor.
“Além disso, o sucesso do TFFF e de qualquer iniciativa de preservação ou bioeconomia que dele dependa, estará atrelada a marcos de governança claros, fiscalização, estrutura de incentivos robusta, parcerias público-privadas eficazes e da confiança de investidores. Ou seja: o anúncio existe, mas a implementação será determinante”, resume.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Keli Vasconcelos




