Ao falarmos de arquitetura sustentável, logo pensamos em elementos da natureza, reciclagem de materiais e produção a favor da descarbonização. Tudo isso é válido e há um plus quando a indústria química utiliza sua expertise na construção de itens duráveis, ambientalmente responsáveis e que impulsionam a construção civil nessa pegada.
E o cenário é promissor: o Brasil está no ranking dos 10 países com mais metragem certificada, superior a 2 milhões de m², no LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), certificação desenvolvida pela U.S. Green Building Council (USGBC) para avaliar o desempenho das construções no uso eficiente de energia, consumo de água, seleção de materiais e impacto ambiental, figurando um destaque importante no World Green Building Council, rede global formada por mais de 70 conselhos desse gênero.
Química sustentável
Aluisio Goulart, diretor de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e Qualidade do Grupo Flexível, explica que o poliuretano (PU) é uma alternativa sustentável pertinente, já que por sua capacidade de isolamento térmico e acústico, reduz a demanda no uso de aparelhos como ventiladores e ar-condicionado, o que proporciona uma economia energética relevante.
Goulart acrescenta ainda que o segmento está investindo na logística reversa desse elemento para a produção de novas espumas feitas, exclusivamente, com PU reciclado e poliol de fontes renováveis, que podem ser usados no núcleo de portas ou divisórias, por exemplo. “O setor já produz formulações de poliol, um dos produtos que compõem o PU, feitos a partir de resíduos do agronegócio”, resume o executivo da empresa, especializada em soluções com poliuretano, material comumente presente na parte interna de telhas e divisórias e na composição de adesivos, selantes e espumas expansivas.
Arquitetura de resíduos plásticos na Amazônia
Uma iniciativa no Amazonas transforma material plástico em blocos construtivos para habitação e outras estruturas, unindo proteção social e preservação ambiental. Trata-se do Projeto Amazonas Ecolar, uma ação do governo estadual, com a produção dos materiais feita no Centro de Reciclagem do estado, e baseada em solução desenvolvida pela empresa colombiana Conceptos Plásticos.
“O projeto cria uma nova dinâmica econômica para os catadores, já que a integralização é feita por meio da agregação das cooperativas. Com pontos de coleta diversificados em Manaus, isso vai gerar renda, organização e sustentabilidade. O material será retirado diretamente do meio ambiente pela ação do catador, que passa a ser agente fundamental desse processo”, comenta o superintendente do Instituto do Clima e Meio Ambiente (ICMA), Pablo Oliveira.
Segundo o governo do Amazonas, o método construtivo permite montagem das unidades habitacionais concluída em até cinco dias, alta resistência, durabilidade e conforto térmico, características adequadas ao clima amazônico. As primeiras 25 casas, de 50 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, destinadas às famílias do município de Iranduba, como projeto piloto, com previsão de entrega até março.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Mauro Neto – Secom Amazonas




