Os relatórios de sustentabilidade servem como um termômetro para medir a prática da jornada ESG e, obviamente, esse recurso requer mais que o preenchimento de planilhas pelas empresas: envolve planos, processos, adaptações e cálculos, ou seja, ações humanas em prol do meio ambiente, bem-viver de todos os atores e da comunidade do entorno. Outros destaques, como IA, estão ganhando atenção.
Na outra ponta, aparatos tecnológicos são utilizados para precisão de resultados, com destaque para a inteligência artificial (IA), protagonista de muitas discussões (confira conteúdo especial aqui) sobre os impactos que podem causar. Estudos, porém, mostram que o seu uso é ainda limitado: as consultorias Falcon Windsor e Insig AI constataram que o mecanismo ganha cada vez mais espaço, mas ainda é restrito para relatórios financeiros e de sustentabilidade corporativa anuais.
Referências à IA
O levantamento, divulgado pela Exame, foi elaborado com base na análise de 21 mil documentos de 40 empresas listadas na Bolsa de Valores britânica entre 2021 e 2024, ressaltando que mais de 60% fizeram referência à IA, enquanto somente em dois a usaram para gerar gráficos e imagens, nenhum para elaborar textos.
Para Claire Bodanis, fundadora da Falcon Windsor e líder da pesquisa, as organizações testam a IA em suas operações, mas há esse recuo nos relatórios por conta da responsabilidade legal e até uma suposta “quebra de confiança” por parte de investidores.
Riscos operacionais, estratégia corporativa e eficiência na automação foram os tópicos mais citados para utilizar a inteligência artificial, frisa a pesquisa (conteúdo aqui, em inglês).
Falha na transparência
Já outro estudo, por sua vez, descortina um problema na transparência de dados: de acordo com o “Benchmark Hub 2026” (íntegra aqui, em inglês), da organização World Benchmarking Alliance (WBA), realizado com 2 mil empresas globais de tecnologia, 38% publicaram seus princípios de ética em IA, porém nenhuma delas divulgou resultados de avaliações desse impacto em direitos humanos, por exemplo.
A verificação, replicada pelo site Um só Planeta, salientou ainda que, juntas, essas organizações respondem por aproximadamente 54% das emissões globais de gases de efeito estufa, menos de 5% pagam um salário digno a colaboradores, apenas 9% quantificam riscos relacionados à natureza, e 10% avaliam impactos de direitos humanos em suas cadeias de suprimentos.
“O momento exige escolhas claras, com ações mais decisivas e investimentos em escala por parte das empresas mais poderosas e influentes do mundo”, alerta o comunicado da WBA.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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