Resíduos

Reaproveitamento de uniformes ganha força na produção de novos itens

Reaproveitamento de uniformes ganha força na produção de novos itens - Fitec Tec News

 

Seja por necessidade, para atualizar a identidade visual de uma empresa, para fazer aquele “upgrade” no armário ou até por impulso, adquirir peças de roupa envolve uma cadeia de produção que se utiliza de recursos naturais e enfrenta uma gama de questões quando o assunto é a relação com o meio ambiente. Um deles é a de produção de uniformes.

 

O grande desafio está no apelo por “peças rápidas” (o famoso fast fashion) e a preços acessíveis, tornando-se um problema ambiental com números cada vez mais preocupantes: uma pesquisa divulgada pela Veja destaca que, mundialmente, 92 milhões de toneladas de vestimentas são desperdiçadas, com estimativas de o volume dobrar até 2030. E uma das imagens mais emblemáticas é a de pilhas de refugos depositadas no deserto do Atacama (confira o assunto aqui), fruto de descarte irregular de diversas frentes, o que inclui pelos portos.

 

Pensando nesse cenário, muitas ações despontam, a exemplo do Porto Sudeste (Itaguaí/RJ) e a Minha Coleta, plataforma tecnológica especializada em gestão de resíduos e logística reversa, que implantaram um projeto-piloto de reciclagem e upcycling de uniformes. Por meio da plataforma é possível conectar geradores de resíduos, operadores logísticos e cooperativas, garantindo rastreabilidade total do processo, desde a coleta até a destinação final.

 

Do uniforme à peça nova

 

Na prática, os uniformes não contaminados são transformados em brindes corporativos sustentáveis, como mochilas, bolsas, ecobags e nécessaires. No caso do Porto Sudeste, a coleta acontece fora da área alfandegária e, ao todo, cerca de 410 uniformes foram reaproveitados na primeira etapa, resultando em mais de 400 itens produzidos.

 

Através da plataforma, os clientes encontram fornecedores de maneira simplificada, gerando redução de custos logísticos e acesso a soluções de tratamento no mercado. Isso é possível graças à nossa inteligência, que acelera o processo de conexão entre todos os elos da cadeia”, diz Eduardo Nascimento, CEO da Minha Coleta.

 

“Transformamos resíduos em novos produtos, e esse processo não apenas reduz o volume de lixo enviado a aterros, ele gera renda, desenvolve habilidades e fortalece mulheres da nossa comunidade. Cada EPI que chega ao Ateliê deixa de ser apenas um material inutilizado e passa a contar uma nova história”, comemora Bianca Simãozinho, gestora na ONG Mundo Novo, cujo ateliê produz as peças.

 

Sustentabilidade na folia

 

Quem curtiu o Carnaval em Salvador também teve a oportunidade de se conectar com a sustentabilidade. A prefeitura instalou um contêiner no Circuito Osmar (Centro) para divulgar o Observatório do Clima, que serviu de base de monitoramento ambiental e também como ponto de divulgação de projetos ligados à redução dos impactos da festa.

 

Um dos destaques foi o recolhimento de tecidos, como as camisas de funcionários da prefeitura, para destinação ao projeto Refoliar, que reaproveita esses itens usados. “A proposta é aproveitar esse material dentro de um ciclo completo: capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade para que tenham uma fonte de renda. Em parceria com a prefeitura, vamos realizar um curso na ONG Pérola de Cristo para 20 mulheres e a primeira produção será de cobertores feitos com retalhos de camisetas e abadás coletados”, explica a diretora do projeto, Vanda Souza, ao Bahia Notícias.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

 

Foto: Divulgação

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *