Resíduos

Resíduos orgânicos industriais e embalagens compostáveis viram adubo e oportunidades ESG

Resíduos orgânicos industriais e embalagens compostáveis viram adubo e oportunidades ESG - Fitec Tec News

Um dado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE; 2025), chama a atenção: apesar do aumento gradativo na coleta direta de lixo nos últimos anos, 4,7 milhões de domicílios (6,1%) ainda queimavam lixo na própria moradia em 2024, sendo que nas áreas rurais, isso ocorre em mais da metade (50,5%) das propriedades, enquanto nas zonas urbanas, a proporção é de somente 0,4%.

O cenário mostra a necessidade de olhar com mais responsabilidade sobre os resíduos, considerando-os como uma oportunidade de resiliência e conscientização por parte do coletivo. Uma saída está nas embalagens compostáveis, feitas a partir de matérias-primas de fontes renováveis, como celulose de reflorestamento e cana-de-açúcar, transformando-se em adubo. Algumas versões podem se decompor em até 180 dias, quando descartadas corretamente, ou seja, o recomendável é depositá-las em composteiras.

 

Resíduos e geração de renda

 

Entretanto, isso não quer dizer que, ao descartar no lixo comum, haverá problemas. Segundo Veruska Rigolin, gerente regional de vendas da América do Sul da empresa Futamura, ao Pensamento Verde, esse tipo de embalagem feito para se decompor de maneira segura. “Isso diferencia das biodegradáveis, que podem deixar contaminantes no solo, e das recicláveis, que precisam de uma cadeia de reaproveitamento bem estruturada para voltarem ao mercado”, explica a especialista na fabricante de filmes de celulose.

Já na indústria, a compostagem converte resíduos orgânicos em adubo e oportunidades em ativar a jornada ESG. Um programa da fabricante de embalagens sustentáveis Smurfit Westrock transforma, a partir do lodo gerado no tratamento de efluentes, em um condicionador de solo natural, que é distribuído a agricultores que circundam a unidade fabril, na cidade de Três Barras (SC).

Por ano, mais de 50 mil toneladas do adubo vão para 220 pequenos produtores. Outro ponto envolve a geração de renda: desde 2021, parte dos alimentos produzidos com o uso do insumo é comprada pela própria empresa para abastecer o restaurante da unidade, servindo mais de 14 mil refeições mensais.

“A iniciativa representa, na prática, como unimos eficiência operacional, responsabilidade ambiental e impacto social positivo. Temos muito orgulho de aproveitar em torno de 90% dos resíduos da fábrica (15 mil toneladas/mês) para a produção de novos produtos e destinações mais nobres e alternativas aos aterros”, comemora Bianca Samensari, gerente corporativa de meio ambiente na companhia.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Divulgação – Packster

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *