A atuação integrada da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e da Grande Reserva Mata Atlântica avança na consolidação de um modelo que conecta conservação da biodiversidade, desenvolvimento econômico e gestão de risco climático no Brasil, favorecendo o desenvolvimento de ativos estratégicos para a conservação de ecossistemas.
O projeto “Youth training and networking to strengthen a restorative economy in the largest continuum of Atlantic Forest in Brazil” — em português, “Formação de jovens e fortalecimento de redes para impulsionar uma economia restaurativa no maior contínuo de Mata Atlântica no Brasil” — foi validado em campo pelo Global Nature Fund (GNF), organização internacional com sede na Alemanha, que atua como gestor financeiro e parceiro da iniciativa.
A validação ocorreu durante uma visita técnica realizada pela equipe entre os dias 15 e 22 de março de 2026, quando representantes do projeto e do GNF percorreram municípios do litoral do Paraná e áreas naturais protegidas inseridas no território da Grande Reserva. A agenda incluiu encontros com gestores públicos, empreendedores locais, jovens formados pelo projeto e equipes técnicas da SPVS, além da análise detalhada da execução técnica, financeira e institucional da iniciativa.
“Em um cenário de aumento da frequência de eventos climáticos extremos e crescente pressão sobre infraestrutura urbana e serviços públicos, iniciativas como essa ganham relevância ao demonstrar o papel das áreas naturais como infraestrutura estratégica. Ao contribuir para a regulação hídrica, a estabilidade climática local e a mitigação de riscos ambientais, esses territórios passam a integrar a lógica de planejamento econômico e gestão de risco, com impactos diretos sobre cadeias produtivas, investimentos e qualidade de vida”, destaca Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS.
Ativos estratégicos
O projeto, financiado e apoiado pelo GNF, tem como eixo central a formação de jovens e a articulação de redes locais para impulsionar uma economia alinhada à conservação da natureza. Entre os resultados, estão a capacitação de participantes para atuação em turismo de natureza — com destaque para atividades como observação de aves —, o fortalecimento da governança local e a conexão entre atores públicos e privados em municípios estratégicos do território.
Além disso, a iniciativa gerou entregas estruturantes, como materiais de comunicação bilíngues, conteúdos audiovisuais e a consolidação de experiências práticas em campo. Parte dos jovens formados já foi inserida em atividades locais ou passou a integrar a Rede de Portais da Grande Reserva Mata Atlântica, ampliando o impacto direto na geração de renda e oportunidades.
Ao estruturar uma economia baseada na conservação da natureza, o projeto evidencia uma mudança de paradigma: áreas naturais deixam de ser percebidas apenas como espaços de proteção e passam a ser reconhecidas como ativos capazes de gerar valor econômico, reduzir custos públicos e aumentar a resiliência territorial. Nesse contexto, iniciativas de turismo de natureza, formação profissional e articulação institucional se consolidam como vetores de desenvolvimento com base em ativos já existentes no território.
A Grande Reserva Mata Atlântica, que abrange quase 3 milhões de hectares nos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina, tem papel central nesse processo ao articular uma rede colaborativa que conecta poder público, iniciativa privada e comunidades locais. O modelo de governança, baseado na Rede de Portais, tem permitido a estruturação de iniciativas integradas em escala territorial.
Segundo Ricardo Borges, coordenador de comunicação e parcerias estratégicas da Grande Reserva Mata Atlântica, o projeto evidencia o potencial do território como referência internacional.
“A Grande Reserva Mata Atlântica se consolida como um território onde conservação e desenvolvimento caminham juntos. O que vemos aqui é a construção de uma economia que emerge da natureza, gerando renda, fortalecendo identidades locais e criando perspectivas reais para as novas gerações”.
Proteção do ecossistema
Durante a visita, a representante do Global Nature Fund, Andrea Schell, gerente de Projetos de Desenvolvimento Sustentável do GNF, acompanhou de perto os resultados do projeto e as dinâmicas locais construídas ao longo de sua execução.
“Ver o projeto de perto foi muito impressionante, especialmente pela colaboração baseada na confiança e construída ao longo do tempo que a SPVS estabeleceu com as comunidades locais em Antonina, Morretes e Guaraqueçaba. Fiquei particularmente inspirada pelo forte compromisso e pela dedicação da SPVS e das comunidades locais na proteção desse ecossistema único. Conhecer membros da comunidade, como um ex-criador de búfalos que hoje atua no desenvolvimento do turismo de observação de aves, mostrou como a conservação pode gerar oportunidades reais. Do nosso ponto de vista, essa iniciativa demonstra um forte potencial para a construção de uma parceria de longo prazo”, destacou Andrea.
A imersão no território incluiu experiências como a Trilha das Aves, estruturada com recursos do projeto, visitas a áreas naturais protegidas mantidas pela SPVS (que somam cerca de 19 mil hectares) e encontros com gestores municipais de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba, evidenciando o papel estratégico da integração entre políticas públicas e iniciativas locais.
O encerramento da visita ocorreu na Reserva Natural Salto Morato, mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, onde foram discutidas oportunidades para novas frentes de atuação conjunta entre a SPVS e o GNF, sinalizando a possibilidade de expansão da parceria e continuidade das ações no território.
“Ao consolidar resultados mensuráveis, validação internacional e impacto direto nas comunidades, a iniciativa reforça o posicionamento da SPVS e da Grande Reserva Mata Atlântica como referências na construção de soluções inovadoras baseadas na natureza — com potencial de replicação em outros territórios no Brasil e no mundo”, conclui o diretor da SPVS.
Foto: Divulgação Grande Reserva Mata Atlântica




