O Brasil é um provedor de soluções climáticas. Essa é a principal constatação de um estudo elaborado pela C.A.S.E. (Climate Action Solutions & Engagement), ação idealizada por grandes players do setor econômico, sendo Bradesco, Itaúsa, Itaú Unibanco, Marcopolo, Natura, Nestlé e Vale, em conjunto com a consultoria global Accenture.
O material (íntegra neste link) analisou 128 soluções climáticas e socioambientais identificadas em articulação com CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) e SBCOP (Sustainable Business COP), organizado em nove (9) eixos temáticos estratégicos (como transição energética, bioeconomia e restauração florestal), com o foco em implementação e potencial de escalabilidade.
Players em destaque
Entre os achados, o estudo percebeu a conexão entre implementação e financiamento, com 100% dos eixos estratégicos se correlacionando com produtos financeiros já existentes. O mapeamento considerou cinco instituições financeiras e identificou 21 instrumentos aplicáveis, endossando que a ampliação de escala depende de estruturação de capital e condições de execução ao longo do ciclo de projetos. Outro ponto detectado foi a transição energética como a mais frequente entre as soluções analisadas, com iniciativas voltadas à descarbonização de cadeias produtivas e da infraestrutura energética.
Patricia Feliciano, diretora‑geral de Sustentabilidade para a América Latina da Accenture, explica que a metodologia foi desenhada para conectar a questão climática à economia real, mapeando o que, na prática, apresenta resultado concreto e potencial de escala. “Ao avaliar as soluções do setor privado brasileiro através de fatores como maturidade, impacto, capacidade de replicação e possibilidades de financiamento, conseguimos visualizar um retrato de como diferentes setores já estão transformando a agenda climática em modelos de negócio viáveis e com potencial de expansão”, frisa.
Coalizão para articulação
Iniciativa lançada em 2025, a C.A.S.E. tem como meta mostrar como o setor privado pode acelerar a implementação de soluções climáticas reais no Brasil. Para tanto, os membros têm como foco lançar luz a uma questão desafiadora: diante da complexidade geopolítica e econômica global, respostas isoladas não dão conta da transição que o mundo precisa.
“Mobilização e implementação são tão estratégicas quanto acordos formais e o grupo foi criado justamente para mostrar que o Brasil é um país cheio de soluções climáticas, capaz de gerar impacto real, emprego, renda e prosperidade, ao mesmo tempo que contribui para descarbonização mundial”, frisa, ao Estadão, Marcelo Furtado, chefe de Sustentabilidade da Itaúsa e um dos fundadores da C.A.S.E..
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Marcelo Pereira




