O Brasil tem enfrentado, de forma cada vez mais intensa, os impactos de eventos climáticos extremos sobre a segurança hídrica. Em 2024, a seca histórica na Amazônia levou o Rio Negro, em Manaus, ao menor nível já registrado, apenas 12,7 metros, afetando diretamente o abastecimento de centenas de milhares de pessoas e isolando comunidades inteiras. No mesmo período, o excesso de chuvas no Rio Grande do Sul provocou a maior enchente da história do estado, atingindo mais de 2 milhões de pessoas, comprometendo sistemas de captação e tratamento de água e interrompendo o fornecimento em diversas cidades.
Esses episódios evidenciam uma mudança de padrão: eventos climáticos extremos, antes considerados pontuais, tornam-se mais frequentes, intensos e imprevisíveis. Secas prolongadas, enchentes e desastres naturais passam a representar uma ameaça constante ao abastecimento de água, exigindo não apenas maior capacidade de resposta emergencial, mas também soluções estruturais e resilientes para garantir o acesso a um recurso essencial à saúde, à economia e ao desenvolvimento das comunidades.
Reflexos dos eventos extremos
Em cenários de estiagem, por exemplo, a redução dos níveis de rios e reservatórios limita a captação de água e pode levar à interrupção, parcial ou completa, do abastecimento. Já em situações de chuvas intensas e enchentes, o problema assume outra dimensão: o excesso de água frequentemente vem acompanhado de sedimentos, matéria orgânica e contaminantes, tornando o tratamento mais complexo e elevando os riscos à saúde da população.
Na Amazônia, o atual período de chuvas intensas agrava desafios históricos relacionados ao saneamento. O aumento do volume dos rios, aliado ao carreamento de resíduos orgânicos, compromete a qualidade da água disponível para consumo, colocando em risco a saúde de comunidades que já enfrentam limitações estruturais no acesso ao saneamento e ao tratamento adequado da água.
Este monitoramento é realizado pela Defesa Civil, acompanhando a evolução da cheia nos municípios e contribuindo para que as prefeituras mantenham seus planos de contingência ativos, com o objetivo de reduzir os impactos sobre as populações ribeirinhas.
Ajuda rápida e soluções resilientes
Diante desse cenário, é fundamental investir em soluções resilientes e adaptáveis, como resposta rápida a situações de emergência. Tecnologias modulares e portáteis de tratamento de água surgem como alternativas eficazes para garantir o abastecimento seguro, especialmente em regiões remotas ou afetadas por eventos extremos.
Nesse contexto, a PWTech, startup brasileira especializada no desenvolvimento de soluções para o tratamento de água, desenvolveu um sistema de abastecimento modular portátil, com operação em modelo plug and play (conecte e use), que permite a rápida instalação e funcionamento em diferentes cenários e com diferentes tipos de fontes de água. A solução é capaz de atender com agilidade comunidades em situações de calamidade, assegurando o acesso à água potável mesmo em condições adversas.
Com atuação consolidada em todas as regiões do Brasil, a PWTech também leva suas soluções para mais de 35 países, por meio de projetos de ajuda humanitária em contextos de vulnerabilidade e emergência. “Nosso propósito na PWTech é garantir o acesso à água segura mesmo em cenários adversos, e principalmente nas comunidades vulneráveis e isoladas, que são mais impactadas por crises climáticas e desastres naturais”, afirma Fernando Silva, CEO da empresa.
Cooperação entre setores
A atuação em cenários de crise, no entanto, exige esforços coordenados. A implementação de soluções emergenciais depende da colaboração entre diferentes atores, incluindo órgãos de defesa civil, poder público, organizações da sociedade civil e também da iniciativa privada. Essa articulação é fundamental para ampliar a capacidade de resposta e garantir que a assistência chegue de forma ágil às populações mais vulneráveis.
“Esse modelo de cooperação está alinhado aos princípios do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17 (ODS 17) da ONU, que destaca a importância de parcerias multissetoriais para enfrentar desafios globais complexos, como o acesso à água e ao saneamento”, complementa o executivo.
À medida que os impactos das mudanças climáticas se intensificam, iniciativas que combinam inovação tecnológica e colaboração tornam-se cada vez mais essenciais e estratégicas para garantir a segurança hídrica e proteger a saúde das populações vulneráveis.
Foto: Ricardo Stuckert/PR – Reprodução




