O Brasil conta com uma forte parcela de públicos consumidores de produtos de higiene e beleza, que também estão atentos aos impactos que shampoos, condicionadores, perfumes e hidratantes, por exemplo, possam causar ao meio ambiente. Entretanto, não bastam discursos e informações no rótulo, a rastreabilidade e a sustentabilidade desde a origem são as estratégias investidas pelo setor para atender pessoas e, principalmente, a jornada ESG.
Um exemplo vem do Grupo O Boticário, que celebrou uma década da Metodologia I.A.R.A.® (Índice de Avaliação de Risco Ambiental), cuja essência é a checagem de 100% das matérias-primas introduzidas pela empresa. Inspirada na Mãe das Águas, I.A.R.A.® funciona como um sistema de gestão de risco, permitindo identificar ingredientes de potencial alerta, com cálculos de exposição ambiental, para restrição e/ou substituição de componentes.
O banimento de determinados silicones e microplásticos, como microesferas de polietileno e glitter plástico, resultou em substituições e formulações passaram a incorporar matérias-primas de origem vegetal e alta biodegradabilidade, como no caso dos óleos hidratantes enxaguáveis. Segundo o Grupo, 98% dos shampoos e 100% dos sabonetes (em barra e líquidos) e óleos hidratantes com enxágue das marcas fabricadas são biodegradáveis e 100% apresentam menor impacto na água quando comparados à média da categoria.
“A I.A.R.A.® nos permite avaliar, ainda na fase de formulação, se um produto terá menor impacto nos ecossistemas aquáticos, garantindo que as decisões tomadas em laboratório se traduzam em mais cuidado com rios e mares”, frisa Juliana Canellas, diretora de Qualidade, Excelência e Cuidado do Grupo Boticário.
Pesquisa para alternativas sustentáveis a partir de frutas
Outra inovação está nos centros de pesquisa: um estudo conduzido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) propõe um novo método para produzir carboximetil holocelulose (CMHC), um derivado da celulose obtido a partir de resíduos de frutas como abacaxi e manga.
Esse material surge como alternativa mais sustentável à carboximetilcelulose (CMC), utilizada na indústria como espessante e estabilizante, contribuindo para a economia circular ao transformar rejeitos em insumos de interesse industrial, reduzindo impactos ambientais associados ao descarte desses materiais.
“O processo valoriza resíduos agroindustriais e alimentícios abundantes no nosso país, reduz o consumo de reagentes e energia e diminui a geração de efluentes, possibilitando a produção de CMHC com altos rendimentos mássicos e solubilidade em água”, comenta a professora e pesquisadora Luciene Santos, coordenadora do Laboratório de Tecnologias Energéticas (LABTEN).
Mercado de beleza online aquecido
Um levantamento do site internacional do setor Fashion Network aponta que o mercado de cosméticos online no Brasil registrou crescimento de 44% no comércio eletrônico, graças ao modelo omnichannel, ou seja, as marcas combinam presença digital com pontos de venda físicos.
Essa ascensão acompanha o perfil das pessoas consumidoras, que não estão mais concentradas nos grandes centros urbanos. Por meio das plataformas digitais, públicos de diferentes regiões do país podem ter acesso a esses produtos. “Isso permite que a indústria de beleza escale sua distribuição e diversifique sua base de clientes em âmbito nacional”, informa a publicação.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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