As comunidades que atuam na linha de frente da proteção dos territórios, da conservação ambiental e do enfrentamento da crise climática nem sempre conseguem acessar os recursos destinados a essas agendas. Embora desempenhem um papel fundamental na construção de soluções locais, muitas organizações comunitárias enfrentam barreiras relacionadas à burocracia, às exigências administrativas e à necessidade de comprovar histórico institucional para participar de editais e programas de financiamento.
O desafio não acontece apenas no Brasil. Um relatório internacional que acompanha a implementação do compromisso global de US$ 1,7 bilhão anunciado durante a COP26 para apoiar povos indígenas e comunidades locais apontou que, em 2022, apenas 2,1% dos recursos desembolsados chegaram diretamente às organizações dessas populações. O levantamento também identificou que barreiras administrativas, exigências complexas dos financiadores e dificuldades para acessar mecanismos de financiamento continuam entre os principais obstáculos para que os recursos alcancem quem atua diretamente nos territórios.
Apoio para financiamentos socioambientais
Para contribuir com a superação desse desafio, o Fundo Casa Socioambiental lançou a Chamada Simplificada – Apoio Direto a Iniciativas Comunitárias. A iniciativa disponibilizará R$ 2 milhões para apoiar até 100 projetos em todo o país, com recursos de até R$ 20 mil por organização.
A chamada foi criada especialmente para alcançar associações comunitárias, coletivos e organizações sem fins lucrativos recém-criadas, em estágio inicial de atuação ou que estejam retomando suas atividades após períodos de paralisação.
“Acreditamos que muitas das respostas aos desafios socioambientais e climáticos já estão sendo construídas nos territórios pelas próprias comunidades. No entanto, esses grupos nem sempre conseguem acessar recursos para fortalecer suas iniciativas. Esta chamada nasce justamente para ampliar esse acesso, reconhecendo a importância de organizações que estão começando sua trajetória ou retomando suas atividades e que exercem um papel fundamental na proteção da natureza, na defesa de direitos e no fortalecimento comunitário”, afirma Cristina Orpheo, diretora executiva do Fundo Casa Socioambiental.
A iniciativa apoiará projetos voltados à proteção da natureza, governança territorial, justiça climática, fortalecimento institucional, desenvolvimento comunitário, monitoramento de políticas públicas e soluções sustentáveis construídas a partir das realidades locais.
Podem participar organizações lideradas por povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais, agricultores familiares, populações das florestas, das águas, do campo e das periferias urbanas.
Entre os temas apoiados estão gestão territorial comunitária, proteção de territórios tradicionais, agroecologia, negócios da sociobiodiversidade, energia renovável de pequena escala, brigadas comunitárias de prevenção a incêndios, segurança hídrica, fortalecimento institucional e participação social.
Além do apoio financeiro, as organizações selecionadas participarão de oficinas de fortalecimento de capacidades voltadas à gestão administrativa, financeira e prestação de contas, contribuindo para ampliar sua sustentabilidade e capacidade de atuação no médio e longo prazo.
A chamada integra a estratégia do Fundo Casa de fortalecer organizações comunitárias que historicamente enfrentam maiores obstáculos para acessar recursos, apesar de seu papel estratégico na proteção dos territórios e na construção de soluções para os desafios socioambientais e climáticos do país.
Para acessar a Chamada na íntegra, clique aqui.
SERVIÇO
Chamada Simplificada – Apoio Direto a Iniciativas Comunitárias
Inscrições: até 14 de julho de 2026
Valor total disponível: R$ 2 milhões
Valor por projeto: até R$ 20 mil
Número de projetos apoiados: até 100
Abrangência: todo o território nacional
Informações e inscrições: www.casa.org.br
Foto: Ismael Silva/Reprodução




