Energia

Plus aos renováveis: Brasil estima R$ 3,5 tri em energia até 2035

Plus aos renováveis Brasil estima R$ 3,5 tri em energia até 2035 - Portal Tec News

O governo federal publicou o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE), elaborado pela estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME). O documento substitui o PDE 2034, aprovado há pouco mais de um ano, e traz mudanças como a projeção de investimentos em R$ 3,5 trilhões ao longo da década — 9% a mais que os R$ 3,2 tri previstos no plano anterior, além da capacidade instalada de geração elétrica do país, hoje em 249 GW, devendo chegar a 359 GW em 2035 (uma expansão de 110 GW). O foco também está no avanços dos renováveis.

“Trata-se de um instrumento fundamental para orientar investimentos, fortalecer a competitividade do país e garantir que o desenvolvimento do setor energético ocorra de forma sustentável, justa e resiliente”, comentou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

De acordo matéria do Canal Solar, destaque fica para as projeções de expansão elétrica por meio da fotovoltaica solar, devendo alcançar cerca de 107 GW de capacidade solar instalada até 2035, considerando tanto a geração centralizada quanto a micro e minigeração distribuída, mas fora das grandes usinas.

Já nas eólicas, projeta-se a adição de 13,6 GW de nova capacidade, com potência instalada saltando dos atuais 35 GW para cerca de 50 GW em 2035. Na outra ponta, as hidrelétricas, que em 2025 representavam 44% da capacidade instalada nacional, com cerca de 109 GW, em 2035 sua participação relativa deverá cair para 32%, mesmo com a potência instalada avance para cerca de 113 GW, informa o site.

“O PDE projeta a expansão da oferta de energia com forte protagonismo das fontes renováveis, ao mesmo tempo em que incorpora temas essenciais como segurança energética, inclusão social, combate à pobreza energética e adaptação às mudanças climáticas”, salientou o ministro.

O plano também retira a obrigatoriedade das distribuidoras em contratar novas usinas termelétricas a gás natural, sendo substituídas majoritariamente por pequenas centrais hidrelétricas (PCHs; mais no Portal TECNEWS) e por termelétricas a biomassa.

 

Armazenamento e Data Centers

 

Outro destaque do plano fica para o armazenamento por baterias. Segundo matéria do JOTA, a previsão será de crescimento em potência a 6,6 GW nessa fonte em 2035, muito superior aos 800 MW projetados na edição anterior (até 2034), se aproximando do percentual previsto para PCHs (12 GW). “Percentualmente, no entanto, as baterias continuarão com pouco espaço (2%)”, informa o site.

Outro ponto abrange os Data Centers: o documento estima que o processo de conexão à rede passe dos 2,5 GW no relatório do ano passado para 26,3 GW na versão atual, cujos projetos são impulsionados, principalmente, pelos avanços da inteligência artificial (IA) e pelas perspectivas de incentivos oferecidos por políticas públicas (Projeto de Lei nº 278/2026). O quantitativo de projetos também aumentou de 12 para 77, com São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará encabeçando as concentrações desses empreendimentos.

 

Workshop em prol dos renováveis

 

A EPE promoveu no fim de junho o workshop “Planejando a Rede de Transmissão para Integração de Cargas Eletrointensivas no Sistema Interligado Nacional (SIN)”, reunindo resultados de estudos recentes em discussão com agentes do setor elétrico, com apresentações de cases especialmente do Nordeste (Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte).

De acordo com a Empresa, estão em andamento mais dois estudos prospectivos para inserção de cargas eletrointensivas — um no Rio Grande do Sul, com conclusão prevista para agosto deste ano, e outro no Rio de Janeiro, previsto para 2027.

Para Reinaldo Garcia, diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, os estudos apresentados descortinam novos desafios em meio a um cenário dinâmico – e de incertezas: “É uma grande oportunidade para desenvolvimento econômico, inovação e atração de investimentos para o Brasil. Também é o de preparar o sistema elétrico para atender essas demandas com segurança, eficiência e racionalidade econômica”, frisou o especialista.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Cornell Frühauf por Pixabay