A indústria química encontra na sustentabilidade um reforço em seu patamar na economia, especialmente a de baixo carbono, abrangendo pesquisas e soluções para diversos campos da Indústria, como o tratamento de efluentes, fabricação rigorosa de insumos, além da busca pela diminuição de impactos nocivos ao meio ambiente.
Também atua, diretamente, em quatro das seis missões estruturantes da Nova Indústria Brasil (NIB; mais neste link), muitas delas que convergem na agenda ESG: cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; complexo econômico industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; e bioeconomia, descarbonização e transição energética.
Para Leonardo Barreto, cientista político e diretor da Think Policy BR, a indústria química fornece insumos essenciais para agricultura, saúde, infraestrutura e energia. A fala foi durante lançamento do estudo sobre o setor, promovido pelo Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química – IDQ
“Nessa escala, temos os fertilizantes; Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e reagentes; e coagulantes utilizados em infraestrutura e saneamento; além de materiais e soluções voltados à transição energética, à bioeconomia e à reciclagem avançada”, elencou o especialista.
Segundo o Instituto, o setor representa o 3º maior do PIB industrial e gera de 2 milhões de empregos diretos e indiretos, além de ocupar a 6ª posição no ranking mundial. Uma das novidades governamentais está no Programa Especial de Recuperação da Indústria Química (PRESIQ), instituído pela Lei nº 15.294, publicado no Diário Oficial da União em 22 de dezembro de 2025.
Com vigência entre 1º de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2031, oferece crédito financeiro com foco em insumos e investimentos para aumentar a competitividade do setor.
Desafios ao segmento da química
De acordo com o “Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica”, elaborado pelas consultorias LCA Consultoria Econômica, com apoio da Macrotempo, lançado em agosto pelo IDQ, a participação da produção nacional no consumo
aparente doméstico caiu de 80%, em 2005, para 63%, em 2023, acompanhado pelo avanço das importações e pela geração de um déficit comercial setorial superior a US$ 40 bilhões anuais. Na outra ponta, o segmento se preocupa com a necessidade de melhorias, como a coordenação entre os diferentes órgãos públicos envolvidos, em temas que vão de matéria-prima e energia, até crédito e regulação.
Professor Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES e responsável pelo estudo, destacou que o Brasil reúne ativos capazes de favorecer a expansão da indústria química, como reservas de gás natural, matriz elétrica de baixa emissão, biodiversidade e biomassa, e o que ainda falta é tornar essas benesses em ativos competitivos.
“O Brasil precisa encontrar uma solução própria, considerando suas características e vantagens, inclusive a possibilidade de desenvolver uma petroquímica de baixo carbono. É preciso enfrentar, sobretudo, a questão estrutural da oferta de matérias-primas e construir políticas sistêmicas que permitam tornar o setor mais competitivo”, pontuou na oportunidade.
Gás natural e hidrogênio verde
O gás natural é uma das amostras da conjunção entre indústria química e desenvolvimento de outros setores, já que a sua utilização não se restringe à geração térmica, podendo ser amplamente usado na produção de fertilizantes e plásticos.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, André Passos Cordeiro, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), endossa que o país ainda carece de ajustes regulatórios no tema, chamando a atenção desse recurso como um bem estratégico para o desenvolvimento industrial, como tal propósito é valorizado em outros países, principalmente no contexto geopolítico global atual.
Já outro exemplo é o de hidrogênio verde: em Camaçari (BA), um complexo instalado no SENAI CIMATEC Park, com investimentos superiores a R$ 40 mi, é resultado de uma parceria entre o SENAI Cimatec, a Hytron e a Petrogal Brasil, com recursos da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
O complexo, inaugurado recentemente, produzirá hidrogênio verde e terá uma microrrede de energia renovável, estação de abastecimento veicular, laboratórios de combustão e uma planta de amônia. “As infraestruturas permitem validar, em ambiente piloto, novas soluções tecnológicas capazes de impulsionar a indústria nacional rumo a um cenário de maior competitividade internacional, com uma produção cada vez mais sustentável”, frisa Ricardo Medrado, líder técnico do projeto no SENAI CIMATEC.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: IDQ/Divulgação




