A compostagem é um dos métodos mais tradicionais para reverter resíduos orgânicos para que se tornem adubo e está também regenerando histórias pelo Brasil, unindo iniciativas de setores público e privado no apoio às comunidades.
Uma dessas ações é a parceria entre a Águas Cuiabá, do grupo Iguá Saneamento, e a Agricultura Bioativa Ambiental, empresa cuiabana especializada em compostagem, converte os resíduos gerados a partir do processo de tratamento de água e esgoto, conhecido como biolodo, em um fertilizante rico em matéria orgânica e nutrientes, destinado a diversos meios.
“A iniciativa transforma o que antes era um passivo ambiental em composto orgânico que pode ser utilizado na recuperação do solo, pastagens, fruticultura e outras culturas”, explica Jully Anne Carvalho, coordenadora de qualidade e meio ambiente da Águas Cuiabá.
Compostagem em destaque
Em números, somente em 2025, 3,3 mil toneladas de lodo foram destinadas para a compostagem e parte desses resíduos são doados para olarias, para fabricação de tijolos, e para artesãs da comunidade São Gonçalo Beira Rio, que utilizam o insumo na produção de peças artesanais de argila.
Outra forma de uso é para plantio de mudas como forma de compensação ambiental. É o que a comarca do Tribunal de Justiça de Mato Grosso realiza, apoiando a recuperação de pastagem em uma propriedade de pequeno agricultor, bem como o plantio de ipês em parceria com o Ministério Público, por meio do projeto “Em memória delas”, ato de sensibilização e luta contra o feminicídio (saiba mais neste link).
Para 2026, o biolodo também será utilizado na implantação inicial de uma horta no Abrigo Bom Jesus, fortalecendo ações socioambientais e promovendo melhorias nos espaços da instituição, informa a concessionária.
É dia de feira
A cozinha e a feira são os locais onde mais encontramos a variedade de frutas, legumes e tubérculos, que, consequentemente, se tornam cascas e sobras, que são importantes para a compostagem. Para evitar desperdícios, empresas e entidades praticam a circularidade: em Uberlândia (MG), a prefeitura recebeu membros do Instituto Comida do Amanhã, parceiro do Governo Federal na implementação da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional nas Cidades (Alimenta Cidades).
Na oportunidade, a comitiva visitou uma feira livre para acompanhar o trabalho de coleta de resíduos orgânicos, realizado pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e a Secretaria Municipal de Agronegócios, além de conhecerem o Pátio de Compostagem do município, em que esses resíduos são convertidos.
“Uberlândia possui uma rota de implementação bastante ampla dentro da estratégia Alimenta Cidades. O município atua em diferentes frentes e não se limita a um único eixo de atuação, o que demonstra a intersetorialidade necessária para o fortalecimento da segurança alimentar”, afirmou Emanuela Alves da Rocha, analista de Políticas Públicas do Instituto.
Outra ação vem da Cetrel, que por meio da metodologia SolCircular, transforma resíduos de casca de batata, para reaproveitamento na alimentação animal. Segundo a companhia, por conter 90% de umidade, o material não tinha outro reaproveitamento além da compostagem e a destinação tornava-se mais complexa e onerosa. Por meio de parcerias com fazendas da região em que a empresa está centrada (Camaçari, BA) desenvolveu um sistema que reduz a água nesse resíduo, e também envolve adaptações operacionais no processo de coleta e transporte, drenagem nos silos e nas caçambas de carregamento, uso de trincheiras nas propriedades parceiras para complementar a redução da umidade do material.
A solução possibilitou diminuir o número de viagens logísticas e eliminar custos de destinação – mais de R$ 600 mil apenas em 2025 – para uma empresa do ramo alimentício parceira. “Soluções simples e tecnicamente bem estruturadas podem transformar resíduos em oportunidades de reaproveitamento, gerando benefícios ambientais e operacionais ao mesmo tempo”, comemora Alan Noda de Jesus, Coordenador de Sustentabilidade em Economia Circular da Cetrel.
Da semente às árvores
Uma parceria entre o bar Pop Kid, em Belo Horizonte (MG), e o projeto “Minha Rua é um Pomar”, transformou sementes de abacate, fruta utilizada no preparo de saladas, que seriam descartadas em árvores frutíferas. “Todas as quintas-feiras as reservamos para serem entregues. É uma ação simples, mas capaz de gerar resultados muito maiores do que imaginamos”, explica Leandro Câmara, proprietário do estabelecimento, ao Sou BH.
Há seis anos, o tradicional point da boemia belo-horizontina participa da ação idealizada por mãe e filha, a contadora Norma Diniz e a designer Barbara Diniz (saiba mais neste link). O material passa por germinação e se transforma em mudas destinadas a escolas, Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIs), praças e demais espaços públicos, com participação da população nos plantios.
Atualmente, mais de 3,5 mil mudas já foram doadas e plantadas em regiões de BH, Vespasiano, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e cidades do interior de Minas Gerais. “Conseguimos transformar algo que seria descartado em benefício para toda a comunidade”, frisa Norma Diniz, também ao Sou BH.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação – Águas Cuiabá




