O setor mineral vive um momento de transformação profunda. Após décadas de dependência de combustíveis fósseis, a indústria acelera o passo para cumprir a promessa feita em 2021 pelo Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM): neutralizar as emissões de carbono até 2050.
Embora o desafio seja hercúleo — a mineração responde sozinha por 7% das emissões globais de CO2 — a transição deixou de ser uma promessa de longo prazo para se tornar uma realidade operacional.
A eletrificação como protagonista na mineração
A principal estratégia para erradicar o uso do diesel, que compõe metade da pegada de carbono do setor, tem sido a eletrificação das frotas. Segundo Fausto Almeida, diretor de Mineração da ABB para a América Latina, o movimento é global e irreversível. “Temos visto anúncios em série de projetos que priorizam a eletrificação como rota tecnológica para erradicar o uso de diesel, além de investimentos em automação e digitalização, mirando ganhos de eficiência”, afirma Almeida.
Dados da ABB reforçam essa tendência: desde 2021, a empresa realizou 26 estudos em nove países. Destes, seis já resultaram na implementação de sistemas de trolley inteligentes para caminhões elétricos e híbridos.
Uma pesquisa recente com mais de 400 executivos do setor, intitulada Mining’s Moment, revelou um otimismo pragmático:
- 42% das empresas possuem planos para descarbonizar frotas já em 2026.
- 63% esperam ter ao menos 1/4 de suas frotas operando sem diesel até 2030.
No entanto, uma parcela do mercado ainda hesita. O receio gira em torno da maturidade das tecnologias e do medo de obsolescência rápida. Almeida argumenta que a espera pode ser mais custosa do que o investimento atual.
“A rota tecnológica da eletrificação é aquela que oferece as respostas mais concretas para os desafios da descarbonização. Não há qualquer indicativo de que ela deixe de ser uma necessidade, inclusive para a aceitação social da mineração”, destaca Almeida.
Desafios e Competitividade
As dúvidas técnicas, como a estabilidade da rede elétrica e a disponibilidade de energia limpa, ainda existem, mas já possuem soluções aplicadas em campo. Para os especialistas, a descarbonização não é mais apenas uma questão ambiental, mas um fator decisivo de competitividade.
A transição para uma operação de baixo carbono exige mais do que boas intenções; exige o enfrentamento direto de gargalos operacionais históricos. Atualmente, o setor busca substituir a dependência do diesel, um dos maiores vilões da pegada de carbono, através da eletrificação massiva de caminhões e da implementação de sistemas de trolley de última geração.
Para mitigar problemas críticos como as flutuações de energia, que podem paralisar a produção, a indústria tem investido em redes inteligentes (smart grids) e sistemas avançados de armazenamento. Além disso, para vencer a incerteza tecnológica, o mercado aposta em projetos híbridos que já nascem com integração total para atualizações futuras, garantindo que o investimento de hoje não se torne obsoleto amanhã.
Para Fausto Almeida, o setor chegou a uma encruzilhada onde a inércia representa um risco financeiro e reputacional. “O fato é que a descarbonização seguirá como fator decisivo de competitividade para as empresas que agirem e optarem por ela desde cedo”, conclui.
Imagem: gerada por IA / Gemini




