Em um cenário de negócios cada vez mais regulado, interconectado e exposto a riscos reputacionais, a due diligence deixou de ser um requisito formal de compliance para se tornar um elemento estratégico da gestão corporativa. Ainda assim, muitas empresas brasileiras continuam adotando abordagens superficiais, tratando a verificação de fornecedores e terceiros como uma etapa pontual, um modelo que já não responde à complexidade das cadeias de suprimentos atuais.
Na prática, a ausência de uma due diligence estruturada expõe as organizações a riscos que raramente se manifestam de forma imediata. Passivos trabalhistas, inconformidades ambientais, violações éticas e fragilidades operacionais em terceiros tendem a emergir ao longo do relacionamento comercial, quando contratos já foram firmados e a exposição ao risco está consolidada. O resultado são prejuízos financeiros, sanções regulatórias e danos reputacionais difíceis de reverter.
Grande parte desse problema está na diferença entre uma due diligence básica e uma due diligence robusta. Modelos simplificados costumam se apoiar em checagens documentais, autodeclarações e análises estáticas realizadas apenas no onboarding de fornecedores. Já abordagens mais maduras operam como um ciclo contínuo de avaliação, monitoramento e reavaliação de riscos, integrando critérios regulatórios, operacionais e ESG ao longo de todo o ciclo de vida do fornecedor.
Due Diligence gera valor
É justamente nos momentos de maior exposição como processos de M&A, novos ciclos de sourcing, expansão para mercados mais regulados ou renegociação de contratos estratégicos que as falhas operacionais se tornam mais evidentes. Quando a due diligence não acompanha o nível de risco envolvido, empresas acabam descobrindo inconsistências apenas quando elas já se transformaram em passivos ocultos, interrupções operacionais ou crises de reputação.
Esse desafio se intensifica diante da evolução dos modelos globais de governança e das expectativas regulatórias relacionadas à integridade e à gestão de riscos em cadeias de suprimentos. Em mercados mais maduros, a due diligence é tratada como um processo vivo, baseado em risco, dados e evidências, capaz de apoiar decisões estratégicas e demonstrar controle efetivo sobre terceiros e não apenas conformidade formal.
A due diligence gera valor real quando deixa de ser um exercício burocrático e passa a apoiar decisões críticas do negócio, antecipando riscos e fortalecendo a governança ao longo de toda a cadeia de suprimentos”, afirma Fernanda Amaral, especialista em gestão de riscos e compliance, Territory Manager da Achilles no Brasil.
Mais do que evitar prejuízos, uma abordagem contínua e estruturada de due diligence aumenta a resiliência operacional, protege a reputação da marca e posiciona as empresas de forma mais competitiva em um mercado que já não tolera riscos invisíveis.
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