Muito embora já não seja mais comum guardar comprovantes, documentações e imagens pelo meio físico, o hábito de armazenamento digital está se tornando um novo desafio quando o assunto é sustentabilidade. E a governança de dados está em destaque neste cenário
Com o afã de ficar com informações que são consideradas “importantes”, empresas estão investindo mais em armazenar do que em checar se realmente aquele dado é imprescindível ou pode ser descartado, o que consequentemente gera a necessidade de espaços físicos para a implantação de equipamentos robustos e ultramodernos, os data centers.
E esse mercado está em plena ascensão: pesquisa divulgada pela revista Kdea 360 mostra que o investimento em computação em nuvem no Brasil deve crescer 15% ao ano até 2028, alcançando R$ 331,9 bilhões. Outro dado, este da Universidade de São Paulo (USP), revela que o país conta com 163 unidades em operação, sendo a maioria no Estado de São Paulo, seguidos de Goiás, Rio Grande do Sul e Ceará.
Governança é essencial
A palavra que pode solucionar essa demanda é governança. Especialistas frisam que o futuro da economia digital dependerá cada vez menos da quantidade de dados armazenados e mais da capacidade em transformá-los em ação. “Isso exige visão executiva, disciplina operacional e uma abordagem contínua de qualificação da informação”, destaca a Access, fornecedora mundial de serviços de gestão de registros e informações (RIM), com operações na nas Américas e Índia.
De acordo com a companhia, ao implantar uma política robusta de uso e catalogação dessa massa de dados, garante-se a rastreabilidade do acervo informacional da empresa, o que engloba onde está cada conteúdo, quem pode acessá-lo, e como será utilizado.
Formas claras de políticas de ciclo de vida, que definem prazos de retenção, critérios de descarte e conformidade com a Lei Geral Proteção de Dados (LGPD) também tornam o processo mais transparente e seguro.
Estratégias em economia energética e resfriamento
Como dito anteriormente, o crescimento exponencial de data centers também chama a atenção para a resiliência e sustentabilidade, já que precisam operar de forma contínua, previsível e segura. Para o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP em Pirassununga (SP), esse aumento trouxe dois temas incisivos: energia e água.
“O Brasil será um hub global de data centers, mas o sucesso não depende apenas de construir prédios. Depende de integrarmos essa infraestrutura com nossas sobras de energia renovável e adotarmos tecnologias de resfriamento que respeitem nossos recursos hídricos”, comenta o professor, ao Jornal da USP.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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