Já falamos anteriormente de percepções dos brasileiros em relação à crise climática, saneamento e novos dados despontam: de acordo com 4ª pesquisa nacional realizada pelo ITS Rio (associação civil sem fins lucrativos, dedicada ao desenvolvimento de pesquisas e projetos sobre o impacto social, jurídico, cultural e político das tecnologias de informação e comunicação), em parceria com a Ipsos-Ipec, para 93% dos entrevistados o aquecimento global está acontecendo e, a cada dez respondentes, sete acreditam que a ação humana é a causa principal do problema.
O estudo (íntegra aqui) ainda revela que 79% da população está preocupada ou muito preocupada com a mudança do clima. Para cerca de um terço dos brasileiros, as empresas e indústrias (35%) e os governos (34%) são os principais responsáveis por resolver essa questão.
“A maior percepção de que o aquecimento global é causado por ação humana leva a maioria da população a atribuir a responsabilidade por resolver os problemas causados pela mudança do clima tanto às empresas e indústrias, no desenvolvimento de estratégias para diminuir a emissão de poluentes e outras ações, quanto aos governos, na regulamentação e fiscalização do cumprimento de legislações em prol do meio ambiente”, explica Rosi Rosendo, diretora da área de opinião pública da Ipsos-Ipec.
Para Aloísio Lopes, secretário nacional de mudança do clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a população percebe que a mudança do clima causa impactos importantes na vida e no cotidiano. “Portanto é de se esperar que aumente a cobrança pela atuação dos governos – federal, estaduais e municipais. Isso é positivo e contribui para consolidar avanços como a redução do desmatamento e a priorização da agenda climática nas várias áreas da ação governamental”, analisa.
Universalização do saneamento
Outra pesquisa destaca um assunto que está em voga nos últimos meses: o acesso à água. Segundo o Ranking ABES da Universalização do Saneamento, feito pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), apenas 63 municípios (2,54%) alcançaram a categoria máxima “Rumo à universalização”, entre 2.483 municípios com dados completos analisados, com base no SINISA, Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, do Ministério das Cidades, com ano de referência 2023.
Entre as capitais, Curitiba (PR) é a única a receber o “Rumo à universalização”, e Porto Velho (RO) aparece no extremo oposto, em “Primeiros passos”, já a maior parte está em “Empenho” (74,07%). “Saneamento é gestão, planejamento e continuidade. Onde o serviço avança, a consequência aparece na vida real. Menos internações, menos sofrimento e menos pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Universalizar é uma escolha de política pública e também uma agenda de eficiência”, endossa Marcel Costa Sanches, presidente nacional da ABES.
“Saneamento básico é saúde para a população. Nossa cidade já possui 100% do tratamento de água e 99,5% de coleta do esgoto e logo atingiremos a universalização. Trabalhamos juntos para isso”, comemora o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, município com melhor pontuação no levantamento.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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