Quando ouvimos sobre tecnologias para o monitoramento do clima nas grandes cidades, logo pensamos em previsão do tempo, impactos no trânsito e, mais recentemente, os famosos alertas emitidos pela Defesa Civil quando uma forte chuva se aproxima e seus riscos. Mas, e se esses mesmos sistemas fornecessem dados de segurança hídrica, cobertura vegetal em áreas urbanas ou ainda apresentassem Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para ajudar municípios e a sociedade a reduzir impactos e se adaptar às mudanças climáticas?
É o que promete a Natureza ON, ferramenta gratuita desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário, em parceria com MapBiomas e tecnologia Google Cloud, que mostra locais mais suscetíveis a inundações, deslizamentos de terra e riscos de abastecimento de água, além das recomendações citadas.
Utilizando-se de mapas, dados públicos e estatísticas oficiais, o sistema permite identificar riscos associados a eventos climáticos extremos e áreas vulneráveis, indicando alternativas sustentáveis para reduzir impactos, utilizando a própria natureza como solução. As consultas podem ser filtradas por bacia hidrográfica, município e malha de setores censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), usando a localização do usuário como ponto de partida para a navegação.
Juliana Baladelli Ribeiro, bióloga e gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, explica que o objetivo da plataforma é auxiliar o poder público e a população para mitigar riscos e adaptar as cidades a um novo cenário climático, com intensificação de chuvas extremas e estiagem prolongada. “As obras de engenharia convencional ainda são vistas como resposta quase exclusiva para os problemas urbanos, mas a adaptação das cidades às mudanças climáticas exige um novo olhar para a natureza”, afirma.
Solução geoespacial
Outra iniciativa vem do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) no Espírito Santo, que conta com tecnologias em monitoramento e gestão de áreas protegidas do estado.
Uma delas é Geoiema, plataforma de dados ambientais geoespaciais lançada em 2022 e com atuais 365 camadas de dados disponíveis. O sistema oferece desde informações sobre unidades de conservação e hidrografia até imagens panorâmicas de parques e áreas de preservação, além de compartilhar dados de órgãos estaduais e federais, como IBGE, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).
“A tecnologia é uma aliada fundamental: drones, satélites e sistemas geoespaciais nos permite monitorar de maneira precisa e em tempo real os ecossistemas do estado, além de otimizar o trabalho de nossos técnicos. A inovação é um dos nossos pilares, pois sabemos que só assim podemos oferecer um serviço eficaz para proteção do meio ambiente e conscientização da sociedade”, comemora Gilberto Sipioni, diretor técnico do Iema.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação




