Sustentabilidade

Dinheiro verde e economia real: como o capital sustentável está redesenhando o investimento no Brasil

Dinheiro verde e economia real como o capital sustentável está redesenhando o investimento no Brasil - Fitec Tec News

 

O mercado de finanças sustentáveis vive um novo ciclo de expansão no Brasil. De acordo com a Climate Bonds Initiative, o volume de emissões rotuladas como verdes já soma US$ 30 bilhões, dentro de um universo total de US$ 67,8 bilhões em títulos sustentáveis.  Com o avanço das finanças sustentáveis no Brasil, o capital verde se consolida como motor estratégico de desenvolvimento econômico e inovação. O movimento coincide com o protagonismo brasileiro na COP30, realizada no último ano em Belém, que propôs a mobilização de US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático global.

Nesse contexto, empresas como a Cirklo, uma das maiores recicladoras de PET do Brasil, demonstram como capital verde pode gerar valor econômico e impacto ambiental concreto. Em 2025, a companhia realizou uma emissão de debêntures verdes de R$ 220 milhões para ampliar sua capacidade produtiva. A operação financia a transformação de mais de 3 bilhões de garrafas por ano em resina reciclada de grau alimentício, certificada por órgãos como ANVISA e FDA — resultado que combina inovação industrial, retorno econômico e impacto ambiental direto.

“O financiamento verde deixou de ser uma agenda periférica. Hoje ele é um pilar da competitividade nacional, capaz de conectar investidores a projetos com impacto real e retorno consistente”, afirma José Wanderley, CFO da Cirklo.

 

Resultados efetivos em prol do dinheiro verde

 

Os impactos socioambientais da cadeia da reciclagem são tangíveis. De acordo com estudo conduzido pela ABIPET em 2024, as embalagens produzidas com PET reciclado (r-PET) podem ter uma pegada de carbono até 73% menor do que as produzidas com material virgem. Além disso a reciclagem, como a operada pela Cirklo, promove inclusão social ao gerar renda para cooperativas de catadores — de acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), há cerca de 800 mil catadores em atividade, impactados direta ou indiretamente pela cadeia da reciclagem.

Graças a isso, a Cirklo foi reconhecida pelo Sustainable Business COP30 (SB COP) como um dos 48 projetos do setor privado global a propor soluções efetivas de mitigação das mudanças climáticas. Com 25 anos de expertise na cadeia de reciclagem, a Cirklo foi selecionada na categoria Economia Circular, graças ao impacto ambiental positivo que gera pelo uso de embalagens pós-consumo para a produção de resinas de PET reciclada.

Paralelamente, a empresa vive um processo de expansão, marcado especialmente pela inauguração de uma nova unidade de reciclagem de PET em Ananindeua (PA), em parceria com a Solar Coca-Cola. Esta fábrica tem capacidade de processar 1.000 toneladas de garrafas PET mensalmente, o equivalente a aproximadamente 33 milhões de garrafas por mês. Por meio de investimentos em maquinário de ponta e infraestrutura de coleta em todo o país, a Cirklo tem o objetivo de crescer e de fomentar a economia circular no Brasil.

Até 2024, a empresa tinha duas fábricas, em São Carlos (SP) e Conde (PB). No último ano, contudo, expandiu as operações com uma nova unidade em Maceió (AL), a partir da aquisição da Clodax, e a planta em Ananindeua (PA). Assim, a empresa encerrou 2025 com capacidade instalada de 115 mil toneladas, manufaturando resinas de PET reciclada de alta qualidade e grau alimentício que atendem aos padrões mais exigentes das indústrias de bebidas e embalagens.

 

Oportunidades 

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET) e análises feitas pela Cirklo, o mercado de r-PET movimenta cerca de R$ 1,6 bi no país, e iniciativas de incentivo a reciclagem devem trazer números ainda mais expressivos nos próximos anos. O Decreto do Plástico (12.688/2025), documento que estabelece modelos de operação da logística reversa, determina que a partir de 2026 as embalagens deverão contar com, no mínimo, 22% de matéria-prima reciclada, o que deve gerar um aumento de demanda. “Este percentual aumentará anualmente até 2040, quando atingirá 40%, a cadeia da reciclagem deve ganhar novo impulso, o que torna os investimentos verdes ainda mais propícios. Os investimentos ajudam a cadeia a se preparar para esse momento e contribuem ativamente para fomentar a transição para uma economia circular e sustentável”, acrescenta o executivo.

 

Regulação do setor 

No ambiente regulatório, o avanço da taxonomia sustentável brasileira — um dos temas centrais da COP30 — promete consolidar padrões de avaliação e garantir transparência às emissões rotuladas como verdes. Isso tende a ampliar o fluxo de capital privado para setores como infraestrutura, bioeconomia e economia circular.

“O investimento em dinheiro verde precisa, de fato, de estratégias para assegurar que os fundos serão entregues para projetos que estejam comprometidos em trazer resultados objetivos. A cadeia de reciclagem está há anos se estruturando para que a viabilidade econômica do setor seja tão vantajosa quanto o impacto socioambiental positivo. É assim que nos tornamos referência em circularidade, representando um passo importante para uma economia sustentável na prática, contribuindo para o desenvolvimento social e o enfrentamento das crises climáticas”, conclui José Wanderley.

 

Foto: Freepik

 

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