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Água e efluentes Princípios ESG Tecnologias

SITEC: Eficiência em recursos hídricos e energia solar são destaques nas palestras da tarde

SITEC Eficiência em recursos hídricos e energia solar são destaques nas palestras da tarde - Fitec Tec News

Como as empresas podem se beneficiar com as inovações e responsabilidades no uso consciente dos recursos hídricos? A partir desse questionamento, as palestras que nortearam a tarde do primeiro dia de Sitec Ambiental (confira como foram as palestras da manhã neste link), em que especialistas deram o tom sobre os rumos dessa prática tão pertinente às corporações e, consequentemente, ao planeta.

 

Painel: Eficiência Hídrica – Cada Gota Conta: reduzindo custos e protegendo seu negócio

As utilizações responsáveis e conscientes dos recursos hídricos deram o tom do painel integrante do primeiro dia desta edição do SITEC, com a conversa iniciada por Álvaro Henrique Lisboa Alécio, executivo de negócios da Opersan Soluções Ambientais, especializada em soluções para a água.

“Quando temos um encontro com pessoas interessantes e interessadas em falar de sustentabilidade, sabemos que teremos boas trocas de experiências. E  falar de meio ambiente é tratar de impactos, é tratar de operações das empresas”. Com essas palavras, Alécio falou da atuação da Opersan no suporte em gestão e resultados em recursos hídricos, especialmente no que se refere ao tratamento de efluentes.

Para o especialista, o desafio em levar a sustentabilidade dentro das empresas está em fazer as lideranças “brilharem os olhos” para a essa importância. No caso dos recursos hídricos dentro da indústria, fenômenos como a crise de falta de água, secas severas e restrições de captação deram o sinal de alerta para essa preocupação, que é uma constante e não apenas uma mera exceção.

Alécio também frisou outro desafio: o resúso, que envolve questões regulatórias e também a transferência de infraestrutura. Para exemplificar, o especialista falou de um case de tratamento por meio do sistema BOT (Build, Operate and Transfer), com um cliente que aplicou essa metodologia em suas operações. “O que faz eu acordar todos os dias é entender que a gestão ambiental, especialmente em recursos hídricos, abrange a customização, ou seja, aplicar soluções moldadas à realidade das operações e o retorno financeiro. Isso também envolve a empresa e a comunidade nessa geração de valor”, disse o especialista da empresa, que conta com essas soluções na modalidade offsite para tratamento de efluentes (saiba mais aqui).

Já Álvaro Teixeira, especialista em água e efluentes da Cetrel, discorreu sobre os sistemas de reaproveitamento de água no setor industrial. Essa ferramenta estratégica foi contextualizada a partir de temas como o Marco do Saneamento e, concordando com Alécio, também destacou o estresse hídrico que empresas e pessoas enfrentam atualmente como um desafio. “Acabou essa ideia de água fácil e água difícil. Apesar do Brasil ser rico nesse recurso, há pontos sensíveis e que impactam profundamente esse ciclo, como a contaminação de mananciais e a já conhecida escassez. E não bastam reservatórios, mas o gerenciamento consciente do uso desse recurso”, frisou o especialista em sua fala.

Antecipação é essencial para a proatividade da utilização de água na indústria, ressaltou Teixeira, destacando também, nos pontos de vista ambientais e regulatórios, a coleta e o tratamento de esgoto, tema ainda em andamento e que, segundo Teixeira, precisa avançar.

 

Futuro da gestão hídrica

A customização foi, mais uma vez, lembrada na palestra de Teixeira, entendendo como cada indústria, por meio de indicadores, em como utiliza a água e o reúso pode ser ainda mais otimizado. “Quando as empresas reusam a água com essa compreensão, consequentemente, o consumo de água será menos dependente de fontes externas, tornando-se ainda competitiva”, endossou, trazendo três cases de clientes da Cetrel e que utilizam essa prática, a exemplo da Braskem, que a utilizou no Polo Industrial Petroquímico de Camaçari (BA), com economia hídrica de 4 bilhões de litros/ano em anos chuvosos – o equivalente ao consumo de um município de 150 mil habitantes. Tal sucesso resultou em premiações para Cetrel e Braskem.

“O futuro da gestão hídrica industrial está em três eixos: economia circular, simbiose (uma empresa auxilia outra) e Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL)”, finalizou Teixeira.

E o grande tema do momento, a Inteligência Artificial (IA), arrematou o painel, com a palavra de Luciano Andreoti, gerente de Internet das Coisas (IoT) da CAS Tecnologia (sigla para Ciências Aplicadas à Sustentabilidade), que apresentou informações sobre como a análise de dados é usada para prevenção de desperdícios de água e mitigação de multas.

Em suas primeiras palavras, Andreoti questionou os presentes se haviam utilizado a IA no dia. “Esse é um caminho sem volta”, salientou ele.

Sobre a IA na gestão da água, essa ferramenta é fundamental para redução de custos, especialmente em um cenário regulatório e econômico cada vez mais desafiador e dinâmico. Outro desafio é o custo oculto desse recurso, que vai de vazamentos até a carência de como a água está sendo utilizada nas operações. “Fornecemos um sensoriamento completo, por meio de dados via IA/telemetria, que dá a capacitação e caminhos para evitar tal desperdício”, destacou o especialista em sua apresentação, lembrando que o fator humano é também estimulado, haja vista que por meio da exposição desses dados monitorados de gastos e economia aos times (mais informações sobre IoT.CAS).

Questionados, na interação com o público, sobre monitoramento hídrico, os palestrantes enfatizaram a relevância de uso de dados como pertinente para cruzá-los com demais informações ESG. A partir de números convertidos em ações, há possibilidades para equilibrar demandas, evitar vazamentos, observar oportunidades, e, principalmente, que “faça-se acontecer” nas operações e isso também engloba outros meios, como capacitação de pessoas, processos fabris, melhorias de infraestruturas e aplicação da água em cada função operacional e mencionando, inclusive, os créditos hídricos, um conceito ainda novo, mas potente como os créditos de carbono.

 

Eficiência energética – energia limpa, lucro garantido: do consumo à geração própria

As inovações sustentáveis em energia também pautaram as palestras do período da tarde, sobre um tema em voga no âmbito setorial: o mercado livre de energia e como as empresas podem reduzir substancialmente os custos com a migração.

A energia solar na Indústria foi o tema que  prosseguiu os trabalhos, com a palestra de Christian Cecchini, especialista nesse mercado e representante da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR), que falou de cases de sucesso em geração distribuída. O especialista destacou a importância das energias renováveis no setor, com o Brasil sendo a 4º maior economia em energia solar no mundo (mais informações aqui).

“Mesmo com um cenário animador, ainda dependemos de combustíveis fósseis. Temos também novas demandas, como os data centers, os veículos elétricos, os sistemas híbridos e o hidrogênio verde, que podem ser beneficiadas pela energia solar e esta, por sua vez está se consolidando como eixo central na expansão global de energia elétrica”, esclareceu o especialista, apresentando aos presentes exemplos de uso de telhados solares nessas operações.

Armazenamento de energia solar associado a baterias também foi um assunto discutido por Cecchini, sem deixar de lado os desafios para essa implantação, que vai do custo até necessidade de infraestrutura para tal aplicabilidade, inclusive convidando os participantes para o evento que a ABSOLAR promoverá sobre o tema.

Perguntado sobre geração e mitigar o ônus ao consumidor final, pontuou sobre os cortes de energia (assunto já falado aqui) são um dos desafios para que o setor de energia solar se expanda. Para ele, a geração distribuída pode ser uma das alternativas e independentemente se há ou não essa geração distribuída em determinados pontos do Brasil, ao aplicar a energia solar é possível ter mais vantagens, inclusive às concessionárias, para economia e, principalmente, a expansão a essas regiões desassistidas.

Sobre hidrogênio verde, o uso em fertilizantes foi um dos pontos mencionados pelo especialista para o futuro dessa energia.

A palestra que encerrou ao primeiro dia de SITEC Ambiental foi com a contribuição de Fábio Rubens Soares, membro da Comissão Técnica de Energia (CTEN) do Conselho Regional de Química (CRQ-SP; IV Região), que falou de recuperação energética de resíduos na Indústria.

O foco da apresentação de Soares envolveu o uso de biomassa nas operações: “Todo o resíduo gera energia e isso é um desperdício de receita quando há a destinação inadequada dessas formas de resíduos. É importante compreender o conceito de Waste to Energy (WtE), para que esses materiais gerem energia e renda”, alertou o especialista em sua fala.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi também o ponto abordado por Soares, haja vista que o cumprimento da destinação dos resíduos ainda recai nos aterros e ainda é um desafio incisivo no Brasil. Ele salientou ainda que tais resíduos, quando coletados, encaminhados e identificados os seus potenciais energéticos, podem beneficiar inúmeras outras tecnologias, inclusive na recuperação de calor.

“Os países desenvolvidos não aceitam mais resíduos orgânicos em aterros, o que ainda é aceito no Brasil, sendo que aqui temos outros agravantes como a falta de segregação dos resíduos. Quando há o aproveitamento desse resíduo, temos tecnologias disponíveis, inclusive aqui no país, para a conversão dessa matéria orgânica em energia. A questão não é falta de tecnologia, mas a amplitude de ideias”, frisou o especialista.

Biogás, combustíveis alternativos, resíduos inertes (cinzas) são alguns dos produtos resultantes por meio da aplicação de tecnologias na geração energética, como a  biodigestão anaeróbica, um método muito utilizado em outros países para o gerenciamento de resíduos orgânicos. “Sabemos que uma das barreiras para que esses resíduos sejam valorizados permeia o custo, ou seja, é mais barato encaminhar para o aterro o que poderia se tornar energia. O que falta é incentivo”, salientou, acrescentando que não há ainda uma incineradora de resíduos sólidos urbanos em operação mais proeminente no país, citando a URE Barueri (SP), que entrará em operação em 2027.

Soares finalizou que o conceito WtE é viável e pode ser combinado com as novas tecnologias que despontam no mundo, a exemplo da IA e Internet das Coisas (IoT). Ele também complementou a fala de Cecchini, endossando que as energias renováveis vão complementar a matriz energética no Brasil, podendo substituir gradativamente o uso de energias fósseis, que ainda é evidente no país. Sobre o hidrogênio verde também enfatizou que o transporte é um dos pontos desafiadores para a expansão desse recurso, e também uma oportunidade para busca de soluções para esse gargalo.

Palestrantes do Painel sobre Eficiência Energética

Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental segue até amanhã (19/03), das 10h às 18h, no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.

 

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Por Keli Vasconcelos – Jornalista

 

Fotos: Sofia Jucon/NS Group

 

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