Ter dinheiro em caixa para tocar um negócio é a espinha dorsal de muitas empresas e quando falamos de ações do Terceiro Setor, isso é uma demanda recorrente. Um levantamento do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (2025) mostra que a sustentabilidade financeira aparece como o principal desafio para 66% das ONGs brasileiras, um dado que aponta para limites estruturais do ecossistema de financiamento social e a importância de superar o desafio de obter recursos para suprir demandas.
Recursos para atender as demandas
A pesquisa (mais informações aqui), que ouviu várias lideranças globais nessa área, mostra ainda que 78% das organizações no mundo afirmaram ter registrado aumento da demanda por seus serviços. Já no recorte nacional, 44% das brasileiras se declaram “muito confiantes” de que conseguirão suprir essas demandas.
Ao GIFE, Luísa Gerbase, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS, comenta que muito embora haja esse otimismo, a saúde financeira é uma das grandes preocupações, em especial à captação e acesso a recursos livres. Outro gargalo detectado pela pesquisa, salienta a especialista, envolve a atração e retenção de talentos, além do bem-estar das equipes. “Essas variáveis mostram-se como gargalos para sua atuação adequada”, pontua.
Publicação aborda tema
“Como garantir sustentabilidade financeira quando o orçamento é curto, a equipe é enxuta e as urgências parecem não ter fim?”. Essa é a pergunta norteadora da obra “Captação descomplicada para pequenas organizações – Estratégias para lidar com orçamentos limitados” (Matrix Editora, 2026), assinada por Carla da Nóbrega, administradora e consultora, e Víctor Naranjo, engenheiro agrônomo e consultor.
O livro, que conta com o apoio do Instituto ACP, usa como bússola uma conversa entre dois personagens, que discutem dilemas comuns às pequenas organizações, desmontando a ideia de que captar recursos é uma maneira amadora de “pedir dinheiro”, muito menos prerrogativa às grandes instituições.
Estratégia, planejamento, relacionamento e mudança de mentalidade são, para os autores, os caminhos para que a captação seja exitosa e a sustentabilidade não está somente “atrelada à sorte, mas à profissionalização, mesmo na escassez”.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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