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18 e 19 de março de 2026
Centro de Convenções Frei Caneca – SP

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ESG Princípios ESG Sustentabilidade

Painel sobre Sustentabilidade como Valor Proativo abrilhanta último dia do SITEC Ambiental

Sair do discurso. Eis a frase que norteou os dois dias de SITEC Ambiental 2026 – Seminário de Tecnologia e Soluções Ambientais para a Indústria, com conversas e troca de experiências que não somente traçaram caminhos para negócios alinhados com o compromisso ESG, mas com ênfase em tirar do papel e do campo das ideias as propostas que estão nas mesas de negociação e colocá-las em prática a favor da sustentabilidade e gerar valor a favor da perenidade das empresas.

A proatividade deu o tom das palestras no período da tarde do segundo dia de evento, 19/03, com cases de sucesso sobre finanças, ações de responsabilidade socioambiental e uma visão otimista e desafiadora de um futuro não tão distante que o mundo anseia hoje.

Gerando Valor com Sustentabilidade Proativa

“Energia que Gera Valor Local, Impacto Global”, foi tema da palestra de Caio Reis, de Cubatão (SP), coordenador do Programa Paradas (mais informações aqui), que juntamente com a sócia Letícia Parada, mestre e doutoranda, respectivamente, em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Unisanta (Santos, SP) fundaram essa ação socioambiental.

Ele iniciou sua palestra contando sobre seu passado, atuando na área de engenharia civil, e quando realizou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC, 2021), focou em falar de sustentabilidade na fabricação de telhas. “Por ter morado em uma região carente da cidade, a maioria com habitações em palafitas, e me incomodava muito elas não terem telhas. E usei esse problema para a construção de telhas feitas com plástico”, disse em sua apresentação.

Esse incômodo foi além do âmbito acadêmico, tornando-se o pontapé para a fundação do Paradas, cuja prática envolve a coleta de plástico (residencial e nas praias), transformando-o em produtos sustentáveis, unindo pesquisa, inovação e impacto real no meio ambiente. Ele trouxe um número alarmante: são 11 milhões de toneladas desse material são descartados por ano no Brasil (WWF, 2019). “A questão não é focar no problema: já somos impactados pelo plástico, que está em várias áreas, das nossas casas até na medicina. Mas ele é o vilão?Buscamos entender que o plástico não é o vilão, mas como lidamos com o plástico. Em vez de apenas descarta-lo por que não reutilizado para virar um móvel ou mesmo outro produto em escala maior?”, endossou em sua fala.

Ele trouxe a reflexão que cada atitude individual reverbera a todas as pessoas, e tal material como o plástico, se faz necessário o uso consciente e inteligente desse item – que degrada-se em 400 anos – e que pode ter uma vida útil prolongada. “Quando uso o plástico, ele não é um elemento vivo, diferentemente da madeira, que é um material vivo e que a natureza se encarrega de modelar. As características do plástico se assemelham as do metal, podendo ser modelado, higienizado e que pode perfeitamente ser usado na produção de outros itens. Isso é uma atitude que precisa ser para agora. O futuro é agora, já temos ilhas de plástico [falamos anteriormente aqui] que se acumulam e sabemos que temos uma solução para isso”, salientou Reis.

A base do campo de pesquisa do Paradas, além da coleta e transformação do plástico em itens que dialogam com o local, ou seja, usados em praias (raquetes, pranchas de mão), envolve a análise dos tipos de plástico a serem aplicados conforme cada tipo de polímero. “Além da pesquisa e da produção de itens (adquiridos por meio de canal direto via redes sociais), que são utilizados como mobilizador de educação ambiental, também damos palestras em escolas e empresas, que também têm grandes problemas em lidar com os seus resíduos. Mobilizamos toda a cadeia, afinal a sustentabilidade permeia todas as disciplinas”, frisou em sua fala.

 

Finanças Sustentáveis

Após a palestra, Marcel Lapa, CEO da Green Credit Ecosystems, empresa parceria do Paradas, esclareceu os meios mais conhecidos e perspectivas em finanças sustentáveis. Do currículo, com passagens que foram da área de fisiologia até as atividades atuais, que envolve as finanças ESG. Na visão de Lapa, essa jornada é o principal player do mercado. “É preciso que as empresas entendam que o ESG é também sinal de lucro. Mercado de carbono não é algo distante, mas a capacidade de mitigar e lidar com essas emissões de forma sustentável, mas sem perder a lucratividade”, frisou em sua fala. Ele ainda enfatizou outros critérios que vão além do crédito de carbono, como a conformidade de Normas Regulamentadoras, a exemplo da NR-1, atualizada recentemente e que trata de saúde mental e riscos psicossociais (confira matéria especial no Portal TECNEWS).

Descrição de Escopos, cálculo de emissões de gases de efeito estufa (GEE, por meio da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima – UNFCCC), e o equilíbrio entre mercado regulado e voluntário também foram destaque na apresentação do especialista. “Quando entendo que estou fazendo projetos alinhados com ESG, não os vejo como despesa, mas como incentivo econômico. Quanto mais eu penso nos impactos do meu negócio ao meio ambiente, mais oportunidades eu encontro. Tudo é economia”, sublinhou.

E isso não é à toa: o especialista ressaltou uma pesquisa em que o ESG direciona 99% da tomada de decisão dos investidores no Brasil (saiba mais aqui). “A tecnologia também é uma aliada nessas operações. Nossos clientes, a maioria do agronegócio e da agricultura, também está focada em mensurar como suas pegadas ESG podem beneficiar outras áreas, como a agricultura familiar. Isso é Triple Bottom Line (TBL) ou tripé que une Pessoas (Social), Planeta (Ambiental) e Lucro (Econômico)”, afirmou.

Questionado sobre como os indicadores ESG podem ser aplicados nas pequenas e médias empresas, Lapa disse que mesmo com as barreiras, “é possível se adaptar e adequar conforme a realidade delas. Ter interesse já é um começo”, arrematou.

Thaissa Garcia Gomes, sócia do Albuquerque Melo Advogados, trouxe ao público o primeiro modelo nacional de padronização ESG (Ambiental, Social e Governança) – com base na ABNT PR 2030, sendo considerada a chave para um ESG mensurável e juridicamente segura. “O interessante dessa norma é que ela tem em si um mapeamento, levando elementos de discussão dentro das atividades das empresas. Essa provocação tem como, consequência, tirar planejamentos do papel, com passo a passo dos níveis de maturidade em que a corporação se encontra nessa jornada”, iniciou Gomes em sua apresentação.

Lançada em dezembro de 2022, a Prática Recomendada (voluntária) tem como foco padronizar conceitos e diretrizes ESG, orientando empresas a implementarem práticas sustentáveis, focando no alinhamento com a Agenda 2030 da ONU e na avaliação de maturidade em ESG, de maneira comparável, auditável e mensurável. A advogada salientou ainda a importância do envolvimento dos C-Levels para adequar e impulsionar os compromissos ESG.

“A jornada é contínua e é preciso ter em mente quais assuntos as empresas estão maduras em relação do meio ambiente e identifica-las na materialidade do negócio. Não basta só olhar o hoje, mas os impactos para as gerações futuras. Quais partes estão sendo impactadas?”, provocou Thaissa Gomes, que em seu currículo teve passagem na mineradora Vale.

Ela exemplificou a norma é aplicada juntamente com as comunidades do entorno do negócio, por meio de canais de comunicação e conscientização. Esse diálogo é pertinente para a manutenção e progresso nas operações, e vai da população aos colaboradores da empresa. Para ela, entender os impactos ambientais que as empresas provocam são essenciais para um diagnóstico de como está a empresa – do fluxo de caixa à reputação diante da sociedade.

“A equação muitas vezes vem de um momento de crise: após os impactos negativos que a empresa provoca em uma comunidade, é aí que ela começa a se remodelar. A norma é um meio de determinar a materialidade de forma antecipada, mas, principalmente, que forneça caminhos para decisão. É também uma base de auditorias, de cumprimento de licenciamentos, o mercado exige isso. Também é sobre escolhas e, principalmente, pessoas”, afirmou.

Perguntada o cumprimento de normas, a depender do tipo de contrato a ser assinado, é possível que os termos presentes nessa Prática Recomendada, estejam também em cláusulas. “Não podemos ignorar a força que a ABNT PR 2030, especialmente nas grandes empresas, que contam com culturas de compliance, e que podem colocar essas planilhas em seus relatórios”, respondeu.

 Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental ocorreu nos dias 18 e 19 de março, das 10h às 18h, no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.

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Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Sofia Jucon

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