Com o foco em deixar aos presentes uma reflexão sobre o futuro com o foco no agora, o SITEC Ambiental 2026 encerrou sua edição com uma rodada de palestras proferidas por mentores e líderes engajados na gestão ambiental moderna. O objetivo foi proporcionar um momento de reflexão e compromisso, no qual os participantes não apenas ouviram as considerações, mas foram ativamente convidados a colaborarem para moldar o futuro socioambiental do setor. Conhecimento, habilidade, inovação e atitude em prol do fator humano na gestão ambiental das organizações foram as fórmulas apresentadas pelos palestrantes para garantir a sustentabilidade real a partir desta edição do evento.
Essa parte foi iniciada com o Prof. Dr. Fernando Codelo, pós-doutor pelo IPEN/USP e especialista em Gestão Ambiental (FSP/USP), Engenharia Química, Criatividade e Inovação, fazendo um panorama entre o ano de 2026 até 2050. Em sua participação, Codelo destacou as diferenças entre gestão e alcance de sustentabilidade. Uma dessas formas é o atendimento aos requisitos normativos, a exemplo das ISO 9001 (Qualidade) e ISO 14001 (Ambiental), as quais, em fase recente de atualização, trazem orientações em que são mandatórias a comprovação de responsabilidade ambiental e sustentável.
Na oportunidade, o professor esmiuçou essas normas e como elas são essenciais para o futuro sustentável das organizações. “Hoje, para obter um financiamento, são exigidas documentações de ações contra as mudanças climáticas. Alguns países também estão exigindo se o produto que a empresa fornece é ambientalmente responsável. Quem não está a par disso, ficará para trás”, alertou Codelo.
Conhecimento e adaptação às mudanças
Outro ponto que gera cautela envolve os impactos na saúde pública, restrições químicas e, inclusive, com o papel dos engenheiros na modelagem de inovações tecnológicas e métodos criativos para modernização do saneamento e gestão socioambiental. “A instabilidade climática está norteando o presente das empresas. Ela está impactando a cadeia de suprimentos, tornando setores vulneráveis e também temos outros agravantes, como a estagnação de empresas que resistem em aplicar esses novos conceitos e se adaptar às mudanças”, ressaltou na apresentação.
“As normas ISO têm em seu escopo a mentalidade do risco e consideram metas de descarbonização, com evidências objetivas de como esses riscos podem impactar o meio ambiente e também o meu negócio. Vale ressaltar que sustentabilidade não mais uma opção, ela deve estar inserida nas operações e em todas as equipes. Não é presa em um departamento, em um documento, mas adaptada e inserida no contexto da empresa. Isso também vai ao encontro do conceito CHA: Conhecimento, Habilidade e Atitude. O que pega não é a norma, mas é a atitude da empresa diante desse desafio”, frisou.
Atender a realidade da Indústria 5.0 (mais humana, sustentável e resiliente), bem como as auditorias de transição, digitalização e inovação aberta são as ferramentas e próximos passos rumo a 2050 de maneira sustentável, na perspectiva do professor Codelo.
Dr. Luiz Fernando Núbile Nascimento foi o próximo a falar. O especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários – IBET e sócio-coordenador na Faragone Advogados Associados, provocou os presentes sobre como o compliance pode ser efetivo, especialmente nas pequenas e médias empresas. “Dados apontam que 97% das grandes empresas têm um departamento de compliance (PwC), mas e nas pequenas e médias? Quais critérios que a sustentabilidade, como exigência global, as PMEs podem se beneficiar, diante de tantos contextos como regulação, previsão legal e viabilizá-la em seus negócios?”, questionou em sua apresentação, destacando, a Constituição de 1988, que cita a proteção da vida, o que inclui a sustentabilidade, ou seja, todas as pessoas, empresas e governos precisam estar em consonância ambiental para conformidade do presente e do futuro mais resiliente.
Para o especialista, não é possível a sustentabilidade empresarial sem a sustentabilidade ambiental. “A partir dessa leitura, é possível sugerir ferramentas customizadas conforme o andamento do negócio e que chame mais atores para estar em conformidade, não somente em relação às normas, mas em usá-las para melhoria das organizações, independentemente de seu tamanho”, finalizou em sua apresentação.
As atividades foram concluídas com as palavras de Aron Belinky, doutor pela FGV e referência em ESG, atuando na criação da ISO 26000 e nos diálogos da Rio+20. Ele iniciou sua fala sobre a dupla materialidade, ou seja, a de “Impactos” e da “Financeira”, com foco na própria na sigla desse conceito, tão utilizada atualmente. “Antes, o conceito ESG estava mais atrelado às empresas do setor de finanças, a partir do momento em que a sustentabilidade foi misturadas em fatores mais macros, mais práticos, houve inclusive um movimento anti-ESG, com dilemas sobre utilizar essas práticas dentro dos negócios de um modo geral”, esclareceu em sua fala.
Valorização do Fator Humano
Belinky escreveu recentemente um artigo (FGV, 2025) que propõe expectativas de retorno, no balanço de impactos versus financeiros nessa dupla materialidade. “Há várias razões para uma empresa agir ou não do modo mais sustentável e há inúmeras gradientes dentro desse contexto, que vai desde lógicas de curto prazo até mais amplas de médio e longo prazo. Existem normas que exigem indicadores que discriminam a materialidade financeira para orientar investidores e as demais ações ESG feitas na organização e que ficam no report como suplemento”, frisou na apresentação desta edição do Sitec Ambiental.
Ele também endossou as semelhanças entre ESG Básico e Agenda 2030 e também suas discrepâncias: “Dizer que utiliza os critérios ESG para o atendimento das ODS é absurdo, porque são critérios muito mais profundos, pois não cobrem toda a agenda de desenvolvimento sustentável. Partes interessantes e partes interessadas são o princípio da materialidade financeira, que recorta o business case em sustentabilidade”, alertou.
Perguntado em qual “lado” as empresas precisam encontrar na dupla materialidade, o primeiro passo, segundo o especialista, está em mensurar os impactos, mapeando-os, inclusive checando quais barreiras para alcançá-las, podendo chegar a ambas ou apenas um dos lados, ou seja, financeiro ou impacto.
Todos os palestrantes foram enfáticos no fator humano como solução para superar essas barreiras. Fomento de ações de conscientização, estudos sobre as operações, e, principalmente, converter dados em práticas tangíveis, gerarão pessoas mais engajadas, resilientes e cientes que as ações no momento presente são fruto para vislumbrar o futuro.
“Não postergar e não procrastinar”, apontaram os especialistas. Esses são os erros que não podem ser cometidos pelas empresas em um mundo em constante mudança, em suma.
No encerramento da programação do SITEC Ambiental 2026, Douglas Venditti (primeiro à esquerda), diretor da NS Group, responsável pela organização do seminário, ressaltou a importância do evento e a dinâmica positiva que foi criada nos dois dias de palestras, atingindo o objetivo maior da iniciativa: compartilhar conhecimentos. “A partir desta edição vamos continuar os trabalhos visando ampliar as abordagens e contribuir, cada vez mais, com as boas informações junto ao público interessado e proativo no desenvolvimento da gestão sustentável nas empresas”, concluiu.

Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental ocorreu nos dias 18 e 19 de março, das 10h às 18h, no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.
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Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Fotos: Sofia Jucon




