Sustentabilidade

SITEC: Prof. Dr. Fernando Codelo faz um convite para pensar em 2050, a partir do hoje

SITEC Prof. Dr. Fernando Codelo faz um convite para pensar em 2050, a partir do hoje - Portal Tec News

Como parte da imersão do SITEC Ambiental 2026 – Seminário de Tecnologia e Soluções Ambientais para a Indústria (confira a cobertura neste link), o Portal TECNEWS faz um aprofundamento de cada palestra pertencente aos painéis realizados nos dois dias de evento (18 e 19 de março). O SITEC concluiu os seus trabalhos com um painel de encerramento intitulado “O Futuro Das Empresas Brasileiras – Estratégias Para Prosperar Com Sustentabilidade”, com a presença de mentes brilhantes e engajadas na gestão ambiental. O foco foi não apenas na fala de especialistas, mas um convite ao público para pensar e participar ativamente da discussão, um momento de reflexão e compromisso, colaborando para moldar o futuro do setor.

A primeira palestra foi do Prof. Dr. Fernando Codelo, Pós-doutor pelo IPEN/USP e especialista em Gestão Ambiental (FSP/USP), com foco na união entre Engenharia Química e inovação. Na ocasião, convidou os presentes a pensar e traçar um panorama entre o ano de 2026 até 2050 – em alusão ao movimento Net Zero.

Codelo destacou, por exemplo, as diferenças entre gestão e alcance de sustentabilidade, sendo que uma dessas formas é o atendimento aos requisitos normativos, a exemplo das ISO 9001 (Qualidade) e ISO 14001 (Ambiental), as quais recentemente passaram por atualização, trazendo orientações em que são mandatórias a comprovação de responsabilidade ambiental e sustentável.

Em sua fala, o professor lançou uma provocação para uma observação sincera sobre como as empresas estão envolvidas nesses avanços no setor da sustentabilidade. “As atualizações dessas normas vão gerar muitos impactos nas organizações se elas quiserem alcançar a sustentabilidade. E o momento é agora. Se as empresas não se anteciparem, se não se adequarem, não vão ter essa chance”, pontou o especialista.

Para o professor, três tópicos são determinantes: a pressão regulatória, a emergência climática e a mudança de mentalidade por parte das organizações em relação ao conceito ESG. “Precisam estar alinhados. Quero deixar claro que as normas (ISO 9001 e a 14001) estão com cláusulas atualizadas, que vão realmente fazer com que as organizações pensem o que é preciso fazer para poder atendê-las. Se eu não me mover já, eu vou ficar obsoleto, posso fechar a minha empresa”, alertou prof. Codelo.

Mudança de mentalidade para pensar em 2050

Em sua participação no SITEC, o professor com mais de quatro décadas na docência e com atuação como consultor em Qualidade, Meio Ambiente, Educação Ambiental, Educação e Treinamento, reforçou a importância da mudança de mentalidade para uma jornada promissora nos campos ambientais, sociais e de governança.

Para exemplificar, ressaltou questões que precisamos pensar e que são muito presentes em nosso cotidiano, como os microplásticos, a poluição de rios, a perda de empregos por conta de questões envolvendo a emergência climática e a escassez hídrica. “Por muito tempo, pensou-se que teríamos água por toda a vida. Agora, já está comprovado que não é bem assim. Até aquíferos importantes, como o Guarani, já estão sob risco de contaminação”, frisou em sua fala.

E prosseguiu: “Infelizmente, ainda falta uma conscientização e de mudança de mentalidade por parte de empresas, que, por exemplo, despejam os seus efluentes contaminados sem o devido tratamento. E por isso, eu tenho que evitar, por exemplo, captar essas águas em qualquer lugar. Outra demanda é a instabilidade climática. Hoje, as estações do ano não são mais as mesmas, e impactam profundamente diversas áreas: a de suprimentos, o Produto Interno Bruto (PIB), é um problema para toda a sociedade”, elucidou.

Do plano à ação

O professor foi enfático ao afirmar que as corporações – independentemente de seu porte – precisam se planejar para que a jornada ESG não se resuma a um report, mas uma constante exitosa e, principalmente, em consonância jurídica. E isso vai desde a tomada de decisão no uso ou troca de maquinários, passando pela modernização de processos e de entendimentos dos times envolvidos.

Codelo fez um chamado para que as lideranças tenham esse entusiasmo para transformar. “Eu, como liderança, preciso verificar todo o processo do que estou fabricando e se todos estão nesse ritmo. Ao fazer o desenho de um produto novo, eu tenho que verificar se determinada matéria-prima não vai promover algum tipo de impacto ambiental danoso. Eu vou garantir que o produto gerado após o seu uso, o seu resíduo, possa ser recuperado, possa circular. Se não penso assim, vou perder mercado”, descreveu.

Digitalização

 Um dos grandes avanços ocorrido em diversos segmentos, o que inclui a Indústria, foi a digitalização de processos. Na opinião do prof. Codelo, tal modelo é um dos impulsionadores para um futuro sustentável, em que todo o engajamento de uma cadeia deverá estar em consonância, nos escopos 1, 2 e 3, ou seja, dos impactos internos aos dos fornecedores.

“Estamos saindo da Indústria 4.0 para a 5.0, em que o ser humano e as máquinas terão um papel estratégico e é preciso pensar, fazer uma auditoria de transição, um primeiro um diagnóstico. Como eu estou hoje para chegar em 2050? Como está – e como será – essa fotografia”, concluiu o docente, deixando essa reflexão aos participantes do SITEC.

Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental 2026 ocorreu no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.

 

 

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Por Keli Vasconcelos – Jornalista

 

Foto: Sofia Jucon