ESG

Cimento é uma das áreas que despontam em ESG na construção civil

Cimento é uma das áreas que despontam em ESG na construção civil - Fitec Portal Tec News

A construção civil é uma das áreas mais desafiadores no âmbito ESG para o cumprimento de, por exemplo, metas de descarbonização, uso consciente de recursos naturais e boas práticas na utilização de insumos, como o cimento.

Em números, segundo projeções do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), o Brasil consome 67 milhões de toneladas desse, enquanto a capacidade instalada de produção é de 109 milhões de toneladas. Colocando a lupa no quesito ambiental, a produção de cimento responde por cerca de 7% das emissões globais de CO₂, segundo a Global Cement and Concrete Association (GCCA), e por 2,3% das emissões totais no Brasil, conforme estima o Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de gases de efeito estufa.

Nesse contexto, o setor se empenha em trabalhar na descarbonização, bem como no aumento de eficiência e competitividade, salienta Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). “Para alavancar esses investimentos sustentáveis, é essencial instrumentos como a medida de depreciação acelerada, que vigorou até o final do ano passado. O setor tem grande expectativa pelo envio de uma nova proposta governamental ao Congresso Nacional para reativar esse importante estímulo”, frisa.

 

Melhoria contínua no setor de cimento

 

A agenda de ESG na construção civil ganhou protagonismo nos últimos anos, impulsionada por exigências regulatórias e a maior transparência exigida pelos investidores. Na opinião Valderci Malagosini Machado, engenheiro e Diretor Técnico da Blocos e Lajes Itaim, a indústria de artefatos de cimento passou a ocupar posição estratégica na transição para modelos construtivos mais sustentáveis.

O especialista ressalta ainda que planejamento e melhoria contínua são os norteadores da industrialização, favorecendo maior previsibilidade nos canteiros e melhor gestão de resíduos. “Elementos pré-fabricados e pavimentos intertravados também ampliam a eficiência hídrica, por exemplo. Além disso, soluções modulares e drenantes aumentam a durabilidade das estruturas, reduzindo a necessidade de intervenções corretivas e fortalece a sustentabilidade do ciclo de vida das edificações”, salienta o executivo, ao Estadão.

Fórmula descarbonizada

 

A união entre tecnologia e conscientização está transformando a cadeia cimenteira, a exemplo do setor de pesquisa. Um experimento feito pela Universidade Stanford conseguiu desenvolver uma fórmula capaz de reduzir em até 67% as emissões de carbono associadas à produção do material.

Segundo matéria divulgada pela EXAME, o experimento, liderado pela geofísica Tiziana Vanorio, substituiu o calcário, matéria-prima do cimento tradicional, por rochas vulcânicas praticamente livres de carbono, já que passaram por processos naturais de aquecimento, o que contribui na redução de emissões.

Para a pesquisadora, a disponibilidade e a consistência dos materiais cimentícios suplementares serão cruciais para diminuir riscos na cadeia de suprimentos do cimento de baixo carbono.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto:  wirestock/Magnific

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