Energia

Net Zero estimula planejamento nas edificações; energia é uma das estratégias

Net Zero impulsiona planejamento nas edificações; energia é uma das estratégias - Portal Tec News

A corrida para negócios e produtos se adequarem ao modelo Net Zero está elevando a procura por estratégias mais sustentáveis, o que inclui as construções em consonância a essa realidade.

E a construção civil é uma das áreas mais complexas para a neutralidade: segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Aliança Global para Edificações e Construção (GlobalABC; mais informações), edificações construções são responsáveis por 37% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) e 28% do consumo de energia em todo o planeta.

Fazendo as contas, para se alinhar às métricas de neutralidade, seria preciso o aporte de US$ 5,9 trilhões em investimentos em eficiência energética até 2030. Com um cenário global com diversos desafios, como a volatilidade nas tarifas de energia, novas exigências de investidores e eficiência operacional mais relevante, a gestão energética é considerada a principal métrica de preservação de capital.

 

Energia para mudar

 

Para Patrícia Cavalcanti, vice-presidente de Digital Energy e Power Products da Schneider Electric para a América do Sul, empreendimentos projetados ou modernizados para maximizar o uso de recursos e gerar, por meio de fontes limpas locais ou integradas, têm como fórmula a fusão entre eletrificação, arquitetura preditiva e inteligência de dados.

A companhia tem uma das unidades instaladas no IntenCity, em Grenoble (França), equipado com mais de 4 mil m² de painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas. Para sua eficiência energética, utiliza automação preditiva e microrredes para gerenciar a demanda em tempo real e compartilhar o excedente com o entorno.

“A transição para o Net Zero redefine a forma como os imóveis são avaliados, operados e preservados ao longo do tempo. A eficiência passou a pautar diretamente o valor dos ativos e a tecnologia faz parte da própria estratégia patrimonial. O Net Zero materializa essa guinada de lógica ao migrar de metas declaradas para resultados concretos, da intenção para a performance”, destaca a executiva em seu artigo.

 

Carbono incorporado

 

Uma das áreas pouco exploradas na elaboração de inventários e investigação de meios de mitigação de GEE está no chamado carbono incorporado, que é o total de emissões gerados na extração, fabricação, transporte, instalação, manutenção e descarte final dos materiais de uma construção.

Segundo material da consultoria ambiental EBP, o carbono incorporado é emitido antes mesmo da edificação entrar em operação e não pode ser reduzido por medidas de eficiência energética.

“Em edifícios de alto desempenho, pode representar mais da metade das emissões totais do ciclo de vida. Uma estratégia Net Zero que ignora o carbono incorporado subestima sistematicamente as emissões reais do projeto”, destaca o artigo.

 

Atingindo metas Net Zero

 

Uma das construtoras que conseguiu atingir em 2025 a neutralização de 100% das emissões de gases do efeito estufa relacionadas ao Escopo 2, antecipando em cinco anos a meta estabelecida para 2030, foi o Grupo CESBE, rendendo à empresa a conquista do Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol pelo terceiro ano consecutivo.

Tal feito foi graças a geração de energia renovável de seus próprios ativos e o inventário permite identificar as principais fontes de emissão e orientar para a aplicabilidade de eficiência operacional, o que engloba uso mais racional de recursos e redução de impactos ambientais.

“Ao neutralizarmos as emissões associadas ao consumo de energia elétrica com a renovável gerada por ativo próprio do Grupo, reforçamos nossa visão de sustentabilidade integrada ao negócio”, celebra Jacqueline Loyola, CEO da CESBE.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto:  Divulgação – Schneider Electric