A demanda por projetos híbridos que combinam geração solar fotovoltaica e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) deve crescer nos próximos anos entre consumidores comerciais e industriais, aponta a GreenYellow, multinacional francesa especializada em descarbonização e eficiência energética. A companhia avalia que o avanço dessas soluções será impulsionado pela busca das empresas por maior segurança energética, flexibilidade operacional e melhor gestão do consumo de eletricidade.
De acordo com Fernando Oliveira, diretor comercial da GreenYellow Brasil, esse movimento reflete uma mudança na percepção dos consumidores sobre o papel do armazenamento. “O BESS deixou de ser uma solução pensada apenas para arbitragem de preços no horário de ponta ou como um sistema tradicional de backup. Hoje, o principal motivador é a segurança energética e a confiabilidade operacional”, afirma.
Para empresas com operações críticas, como indústrias, centros logísticos e supermercados, a continuidade do fornecimento de energia passou a ser um fator estratégico. Interrupções, mesmo de curta duração, podem resultar em paralisação de processos produtivos, perda de insumos, indisponibilidade de sistemas, atrasos operacionais e danos a equipamentos.“Em um dos projetos analisados, por exemplo, identificamos que uma interrupção de 30 minutos poderia representar uma perda de aproximadamente R$ 250 mil para a operação”, comenta Leonardo Sartori, especialista em BESS da GreenYellow Brasil.
Tendência de adoção do Sistema BESS
O movimento acompanha a expansão do mercado de armazenamento no Brasil. Projeções da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) indicam que o segmento comercial e industrial deve responder por cerca de 45% da capacidade instalada de BESS no país até 2034. Em termos absolutos, o mercado deve avançar de aproximadamente 19 GWh em 2032 para cerca de 32 GWh em 2034, um crescimento de 13 GWh em dois anos.
A tendência também está relacionada à transformação da matriz elétrica brasileira. De acordo com o Balanço Energético Nacional 2026, as fontes renováveis responderam por 86,8% da matriz elétrica em 2025. Ao mesmo tempo em que amplia a participação de energia limpa, o crescimento de fontes variáveis, como solar e eólica, aumenta a necessidade de recursos capazes de oferecer flexibilidade, controle e melhor gestão do consumo.
Nesse cenário, sistemas híbridos que combinam geração fotovoltaica e armazenamento passam a desempenhar um papel estratégico para as empresas. Além de ampliar o aproveitamento da energia solar gerada localmente, os sistemas BESS permitem reduzir a demanda nos horários de maior consumo (peak shaving), deslocar o uso da energia para períodos mais vantajosos (load shifting) e aumentar a resiliência contra oscilações da rede elétrica.
A GreenYellow implementa esses projetos por meio do modelo Energy as a Service (EaaS), no qual a empresa assume todo investimento inicial, com garantia de performance, enquanto o cliente inicia os pagamentos somente após a entrada do ativo em operação. “Esse modelo reduz uma das principais barreiras para a adoção do armazenamento, permitindo que as empresas tenham acesso à tecnologia sem a necessidade de imobilizar capital em ativos energéticos”, afirma Oliveira.
Com a evolução do mercado elétrico e a crescente necessidade de soluções mais flexíveis e eficientes, a expectativa é que a combinação entre geração renovável e armazenamento se consolide como uma ferramenta estratégica para empresas que buscam reduzir custos, aumentar a segurança operacional e avançar em suas metas de descarbonização.
Foto: GreenYellow/Divulgação




