Bem-estar. Essa é a palavra quando o assunto envolve o turismo sustentável, e ganha cada vez mais força. Isso vai desde as acomodações que valorizam recursos naturais e causam menos impactos ambientais, até experiências em contato com a natureza e apreciação do que se é feito no território.
Em números, o mercado de wellness (bem-estar) movimentou US$ 125,4 bilhões no Brasil, de acordo com o Global Wellness Institute (GWI), colocando o país na 11ª posição entre 145 mercados analisados. Já o ato de viajar é considerado um investimento em qualidade de vida para 87% dos brasileiros respondentes, segundo pesquisa da plataforma de hospedagem Booking.com.
Bem-estar em destaque
O tema foi discutido neste mês no Seminário de Turismo Sustentável Serra Catarinense, iniciativa do Sebrae/SC, por meio do projeto Selo Serra Catarinense Sustentável. Em pauta, a ampliação de estratégias que aproximem sustentabilidade, atrativos naturais, gastronomia, produtos com Indicação Geográfica e identidade territorial que impulsionem negócios.
“As práticas responsáveis podem ultrapassar o campo ambiental e fazer parte da gestão, do posicionamento e da geração de valor dos empreendimentos. Porém, é preciso incorporá-las à estratégia e comunicá-las ao público, que reconhecerá esse diferencial”, destacou umas das palestrantes, Gisele Batista, especialista em sustentabilidade, ESG e mudanças climáticas, afirmando que boas práticas podem se reverter em vantagem competitiva.
A combinação de economia compartilhada, sustentabilidade e encontro com vivências de bem-estar é a aposta para atrair hóspedes, e isso é pensado desde as estruturas, em um conceito denominado multipropriedade para ampliar o acesso às unidades e otimizar o uso do espaço.
É o caso o Amazon Parques & Resorts, complexo de temática amazônica em construção, em Penha, no litoral norte de Santa Catarina. Com mais de 9 mil m² de áreas de lazer e paisagismo biofílico, a propriedade contará com 230 placas fotovoltaicas, sistema de captação de água da chuva, estação própria de tratamento de efluentes e plantio de mais de 2 mil mudas nativas.
“O modelo fracionado garante que diferentes famílias utilizem a mesma pegada física e de carbono, otimizando o uso do solo e recursos naturais, em vez de erguer dezenas de propriedades, que podem ficar ociosas a maior parte do ano”, esclarece Roberto Kwon, presidente do empreendimento, ao Mercado & Eventos.
Energias renováveis
Já na Bahia, as parcerias estão abrilhantando o fornecimento de energias renováveis na hotelaria. A distribuidora EDP firmou acordo com o Gran Hotel Stella Maris, em Salvador, para implantar um Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias-Bess (Battery Energy Storage System; confira matéria especial do tema no Portal TECNEWS), figurando a primeira aplicação em hospitalidade na América do Sul, com operações previstas para janeiro de 2027.
Para Viviane Pessoa, diretora de Marketing do Gran Hotel Stella Maris, excelência em hospedagem vai além de acomodações confortáveis ou opções de lazer: “Significa também ter responsabilidade com o futuro do nosso destino. A parceria reforça o nosso compromisso com a inovação e o turismo sustentável baiano, mostrando que é possível unir a melhor experiência para o hóspede à máxima consciência ambiental”, endossa a gestora.
Já Tomás Baldaque, diretor de Soluções para Clientes da EDP South America, explica que o armazenamento energético deixou de ser algo vindouro para se consolidar como estratégia setorial no momento presente. “A primeira implantação desse sistema na América do Sul reforça a nossa capacidade de transformar conhecimento internacional em soluções de competitividade dos nossos clientes e aceleram a transição para um futuro sustentável”, afirma o executivo.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Lizzi Borges – Prefeitura de Lages (SC)




