Quem passou pelos corredores da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, além de ter contato com diversos títulos e autores, também participou de oficinas educativas, com destaque para a construção de brinquedos feitos a partir de materiais como tampas e embalagens plásticas.
Promovida pela educadora e escritora Silmara Casadei, doutora em Educação e autora da obra “O pequeno mundo criativo” (Cortez Editora; mais informações) e o ilustrador Ricardo Girotto, reconhecido por seu trabalho em Castelo Rá-Tim-Bum, a ação misturou contação de história e o estímulo às crianças para criar, por meio da sustentabilidade, o próprio universo lúdico.
A proposta é ativar o chamado “Decreto do Pequeno Mundo Criativo”, presente no livro, pautado em seis atitudes: respeitar, repensar, reutilizar, reciclar, reduzir e plantar. “A iniciativa proporciona uma vivência de autonomia e reflexão crítica, oferecendo o respiro do fazer manual em uma infância cada vez mais conectada às telas”, informam os autores.
Do livro aos brinquedos
Outras ações também estão tornando o que seria jogado no lixo uma nova forma de brincar. Em Senador Canedo (GO), uma parceria entre a Agência Municipal do Meio Ambiente de Senador Canedo (AMMA) e do Departamento de Educação Ambiental resultou na confecção de mais de 500 brinquedos sensoriais.
Feitos a partir da arrecadação de caixas de papelão das redes de supermercados locais e demais ativações realizadas pela Prefeitura, os brinquedos estão sendo distribuídos nas escolas da rede municipal, a fim de serem utilizados em ações educativas com os estudantes, fortalecendo a jornada sustentável desde cedo.
Já em Santo André (SP), há mais de uma década é tocada a Escola Municipal de Educação Ambiental (EMEA) Parque Tangará, conhecida como Parque Escola. Na unidade são desenvolvidas atividades como oficinas, roteiros pedagógicas, formação de professores e projetos itinerantes, alcançando de 30 mil crianças e estudantes da rede local por ano.
“A EMEA também articula educação ambiental, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e do território. A gente trabalha muito pelo encantamento e acredita que isso sensibiliza e promove a educação”, comemora a agente ambiental Edilene Fazza.
Benefícios das brincadeiras na Educação
O brincar é estabelecido na Constituição Federal (artigo 227), um dever do Estado, da família e da sociedade assegurar à criança, com absoluta prioridade, o direito ao desenvolvimento físico, emocional e social, o que inclui as brincadeiras.
E essa ação não se restringe a hora do recreio, mas parte da própria formação e aprendizagem, conforme explica Nil Ebani, especialista em Educação Infantil e formadora de professores, ao Nova Escola.
Para a especialista, brincar não se trata de algo externo, mas a própria linguagem da criança, elaborando emoções, desenvolvendo linguagem, elevando a imaginação, e principalmente, a forma de existir no mundo.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Silmara Casadei/Divulgação




