Sustentabilidade

Casos práticos mostram empresas brasileiras avançando em metas do Programa GHG Protocol

Casos práticos mostram empresas brasileiras avançando em metas do Programa GHG Protocol - Portal Tec News

“Padrões não devem significar mais burocracia. Eles devem facilitar e acelerar a descarbonização”. Com essas palavras, Tim Mohin, CEO do GHG Protocol,  proferiu uma palestra durante o Congresso Sustentável, o principal encontro do setor empresarial antes da COP31, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS; mais informações), em agosto no Rio de Janeiro.

Considerado um dos principais padrões internacionais usados para medir e gerenciar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pelos tradicionais escopos 1, 2 e 3, o GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol) conta com um modelo brasileiro, criado em 2008 para adaptar ao contexto nacional, sendo desenvolvido pelo FGVces e WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), CEBDS, World Business Council for Sustainable Development(WBSCD) e 27 Empresas Fundadoras.

Independentemente da obtenção do selo, as empresas já entenderam que essas adequações em suas operações não são apenas um “modismo”, mas um elemento relevante para mitigar as suas emissões e cumprir a agenda ESG.

Para Mohin, a transição da divulgação voluntária para a obrigatória de emissões está acontecendo globalmente graças às relações com os investidores. “Eles querem essas informações, porque a mudança climática é real, vemos todos os dias os custos e as oportunidades. E, assim como qualquer risco material ou oportunidade material, isso precisa ser divulgado nas informações financeiras de uma empresa”, detalhou o executivo do órgão, que firmou parceria com a International Organization for Standardization (ISO) para combinar em um único padrão (norma ISO 14064-1).

 

GHG Protocol mostra boas práticas brasileiras

 

O complexo Cidade Center Norte, que integra os Shoppings Center Norte e Lar Center, Expo Center Norte, a incorporadora Center Norte INC. e o Novotel Center Norte, além do Instituto Center Norte, conquistou o selo prata do programa brasileiro GHG Protocol.

Entre as inovações empregadas nos empreendimentos estão estabeleceu a meta de reduzir em 20% suas emissões até 2030 dos seus escopos 1 e 3, emissões diretas e indiretas. Referente à energia, o complexo adota desde 2021 o uso de 100% da energia de fontes renováveis com certificação I-REC, reduzindo o impacto climático de suas operações.

“O selo é um reflexo direto do nosso compromisso em integrar a sustentabilidade na essência, e materializa que é possível unir o crescimento dos negócios ao impacto positivo de uma região, no caso, a Zona Norte de São Paulo”, afirma Daniela Pavan, diretora de sustentabilidade da Cidade Center Norte e do Instituto Center Norte.

Já na Saúde, a Beneficência Portuguesa (BP) conquistou o selo ouro, pelo segundo ano consecutivo. Redução de 89% das emissões diretas (escopo 1), após um ano da descontinuação do uso do óxido nitroso, substituído por alternativas clínicas seguras e de menor impacto ambiental. Considerando os escopos 1 e 2, a redução chegou a 79%, antecipando o cumprimento da meta institucional de redução de 50% das emissões até 2030.

Maria Alice Rocha, diretora executiva de Pessoas, Experiência do Cliente, Marketing, Sustentabilidade e Impacto Social da BP, ao site Medicina S/A, tal reconhecimento mostra que a fórmula evolução contínua e a uma agenda sustentável mais integrada às estratégias das operações é exitosa.

“Para uma instituição de saúde, a agenda climática não pode estar dissociada da nossa responsabilidade com as pessoas e com o futuro do cuidado. Medir com rigor, dar transparência aos nossos impactos e transformar essas informações em decisões concretas é parte dessa responsabilidade”, afirma a gestora.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Divulgação – CEBDS