O El Niño de 2026 pode provocar impactos que vão muito além das mudanças climáticas. Além de pressionar o setor energético e elevar custos para empresas e consumidores, o fenômeno tende a desencadear efeitos tributários e regulatórios capazes de influenciar a arrecadação, competitividade e decisões de investimento em todo o país.
“O El Niño de 2026 não é apenas um fenômeno climático, mas um divisor de águas para os setores energético e tributário no Brasil. O país enfrenta o desafio de equilibrar arrecadação, competitividade e proteção social em meio a uma crise energética que ameaça se transformar em uma crise fiscal”, afirma Junior Rozante, CEO da RZ3.
Reflexos do El Niño
Com temperaturas mais elevadas e maior uso de sistemas de climatização e refrigeração, a demanda por eletricidade deve crescer em 2026. Ao mesmo tempo, a redução do volume de chuvas em regiões estratégicas para a geração hidrelétrica pode comprometer os reservatórios e ampliar a dependência de fontes termelétricas, que possuem custos mais elevados.
Diante desse cenário, os efeitos do fenômeno exigem uma visão integrada entre gestão financeira, tributária e regulatória. “O aumento esperado das tarifas de energia tende a elevar a arrecadação nominal de tributos incidentes sobre o setor, especialmente o ICMS. Ao mesmo tempo, o encarecimento da conta de luz pode intensificar pressões políticas e sociais por redução de alíquotas, subsídios e mecanismos de compensação para consumidores e empresas”, esclarece Rozante.
Para o executivo, esse contexto cria um ambiente de maior complexidade para distribuidoras, geradoras e grandes consumidores de energia. “Além do impacto financeiro imediato, existe a possibilidade de mudanças regulatórias e tributárias que exigirão acompanhamento constante por parte das empresas. Em momentos de pressão econômica, alterações em regras de repasse de custos, incentivos e encargos tornam-se mais frequentes”, explica.
Gestão estratégica de riscos tributários
Paralelamente, o cenário também pode acelerar investimentos em fontes renováveis. Projetos de energia solar e eólica tendem a ganhar relevância diante da busca por maior previsibilidade de custos e do aproveitamento dos incentivos fiscais disponíveis.
Para Rozante, empresas que conseguirem integrar gestão tributária, planejamento regulatório e avaliação de riscos climáticos estarão mais preparadas para enfrentar os desafios trazidos pelo fenômeno.
“Os efeitos do El Niño não devem ser analisados apenas sob a ótica ambiental. Eles podem influenciar decisões de investimento, competitividade e arrecadação. Nesse contexto, a gestão estratégica dos riscos tributários e regulatórios deixa de ser uma medida preventiva e passa a ser uma necessidade para a sustentabilidade dos negócios”, conclui.
Foto: NOAA/Arquivo Metsul




