Princípios ESG Sustentabilidade

Setor cosmético não vê crise e amplia estratégias ESG

Mercado de cosméticos não vê crise e amplia estratégias ESG - Portal Tec News

A indústria da beleza nunca esteve tão em alta no Brasil: já representa 2% do PIB, além de colocar o país como o terceiro maior usuário no setor do mundo. Também está cada vez mais engajada quando o assunto é sustentabilidade, com a inclusão de ingredientes vindos da natureza e de manejo consciente, promovendo ações ESG e uso de embalagens com menos plástico em seu portfólio, por exemplo. É um sinal de que o setor cosmético está bem longe de qualquer crise no mercado.

Uma estratégia é a rota da descarbonização, como a Up2You, marca brasileira que compensou as emissões relacionadas à sua operação e ao frete do e-commerce com créditos de carbono do projeto Caapii, desenvolvido pela Carbonext, que atua com projetos de REDD+, ARR e ALM (mais neste link), gerando créditos de carbono de alta integridade.

 

Mercado cosmético

 

Felipe Viana, diretor comercial da Carbonext, explica que os projetos de baixo carbono não estão restritos a grandes corporações, podendo se adequar conforme cada tipo de empreendimento e propósito. “Essa jornada pode e deve se iniciar proporcionalmente à realidade de cada negócio. Em muitos casos, o primeiro passo é medir melhor a operação, entender onde estão as emissões e buscar compensações de alta integridade, sempre com comunicação precisa”, salienta o gestor.

O Caapii protege 33.927 hectares de floresta amazônica em Paragominas (PA), sendo certificado nos padrões VCS (Padrão de Carbono Verificado) + CCB (Clima, Comunidade e Biodiversidade), e concluído a primeira emissão de 100 mil créditos de carbono. “O consumidor está mais atento. Hoje, vejo que o mercado inteiro caminha nessa direção, e as marcas que não se conectarem a essa realidade tendem a ficar para trás”, comenta Adriana Rio, sócia fundadora da marca, tem em seu DNA o propósito clean beauty.

E o mercado nacional não pretende estagnar: somente em 2025, movimentou a casa de US$ 1 bi em exportações, um feito conquistado pela primeira vez na história, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC, 2025).

 

Cabelos e fibra de bananeiras

 

Outra ação sustentável surgiu da empresária Marilza Barcelos, que descobriu na fibra da bananeira um modo de produzir apliques de cabelo e um creme para manter os fios maleáveis para tranças e mega hair. Atualmente, comanda o Meus Cabelos, Meus Fios, em Campo Grande (MS), com a expertise adquirida por quase duas décadas como cabelereira e, agora, trancista.

Por meio dessa alternativa, com 150g de fios é possível trançar um cabelo inteiro, sendo menos pesado e mais ventilável que a versão sintética, explica ao site Nós, Mulheres da Periferia: “Além de não agredir a nossa natureza, a gente tem um produto que pode melhorar o bem-estar humano”, salienta Barcelos.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Monfocus por Pixabay