ESG

Desinformação na berlinda: IA brasileira é ferramenta “anti-washing”

Desinformação na berlinda IA brasileira é ferramenta “anti-washing” - Portal Tec News

Para muitos, a inteligência artificial (IA) é uma ferramenta usada para enganar, porém, está sendo uma aliada de peso em justamente eliminar as informações falsas, especialmente no que se refere a propaganda e divulgação de ações socioambientais, boas práticas de governança, e também esclarecedora de dúvidas sobre o conceito ESG.

Trata-se da Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar (PACE; mais informações), do Pacto Global das Nações Unidas – Rede Brasil, que tem como propósito sensibilizar as organizações, principalmente os setores de Comunicação, para disseminar conteúdo correto e combater as “washings”, como o greenwashing.

Gratuita e de forma colaborativa, a PACE foi treinada por meio de materiais do Manual Anti-Washing em Sustentabilidade do Pacto Global, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, e os padrões do Global Reporting Initiative (GRI) e International Sustainability Standards Board (ISSB), referências mundiais em relatórios de sustentabilidade, funcionando dentro da ferramenta ChatGPT.

“O ChatGPT é a IA mais usada pelas pessoas. Então, a gente teve essa preocupação de ser dentro de uma ferramenta que é bastante acessível. As informações precisam estar disponíveis para que a comunidade possa verificar se elas são realmente alinhadas à prática e não estão só no discurso”, explicou, à Agência Brasil, Ellen Bileski, diretora executiva da Ecomunica e cocriadora da inciativa.

 

Desconhecimento ou desinformação no corporativo

 

A iniciativa é de extrema importância para combater as fake news e nas empresas, expressa-se urgência: um estudo da consultoria EY revela que mais de 2 mil organizações enfrentaram desafios de greenwashing em todo o mundo, como processos judiciais; remoções obrigatórias de “afirmações de sustentabilidade”; exclusão de licitações públicas e/ou concorrências privadas; retirada de investidores com prejuízo no mercado de capitais; e danos à reputação e, consequentemente, a perda de clientes.

Outra pesquisa, essa feita entre 2023 e 2025 pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra um contexto ainda pior: entre os 2,8 mil anúncios digitais de 917 empresas publicados no LinkedIn nesse período, 52,7% apresentaram alegações ambientais vagas, não verificáveis ou enganosas.

“É por meio da governança que as empresas evitam acusações. Não se pode dizer por dizer. Afirmações de sustentabilidade só se sustentam se estiverem respaldadas por evidências, o que passa por dados confiáveis”, diz Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e CSO (Chief Sustainability Officer) da EY para a América Latina.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: memyselfaneye por Pixabay