Sabemos que a jornada ESG vai além de cumprir regramentos ou mesmo “sair bem na foto” para stakeholders e sociedade. Quem incorpora a agenda em seu DNA também molda suas operações, proporcionando ainda mais crescimento e, principalmente, produtividade com mais consciência.
E isso é mensurado em pesquisas: de acordo com levantamento da consultoria de cultura Santo Caos, divulgado pelo Você RH, com base em informações de 456 companhias, ESG e diversidade aparecem entre os valores institucionais declarados por 51% das respondentes.
Fazendo um recorte, entre as estatais, 69% declaram ESG e 48% em Diversidade e Inclusão; enquanto nas familiares, os índices estão, respectivamente, em 40% e 30%; e nas de capital fechado, 38% e 24%. Já as capital aberto, os registros são de 28% e 27% e entre as cooperativas, 52% declaram sustentabilidade e ESG e 26% Diversidade e Inclusão.
Para Jean Soldatelli, sócio fundador da consultoria, a maneira como a governança e a cultura de cada empresa insere o conceito ESG influencia o trabalho dentro do discurso corporativo.
O executivo explica ainda que a cultura declarada responde também às expectativas da empresa, ou seja, alguns valores ganham mais espaço em determinados modelos de negócio do que em outros.
Desaceleração
Muito embora o cenário seja animador, também enfrenta desafios. Segundo pesquisa “Líderes de Negócios & ESG 2026”, da Data-Makers, que entrevistou 100 executivos em junho deste ano, os investimentos em ESG no país devem sofrer uma desaceleração nos próximos 12 meses.
Para piorar, 21% dos respondentes admitiram que cancelaram iniciativas de ESG nesse período, enquanto 35% pausaram ações. A maioria dos executivos (61%) descreveram que a atuação corporativa está dentro da média e somente 24% acreditam que a empresa estava acima da média do mercado quando o assunto é prática socioambiental, elenca o estudo, divulgado pelo Meio & Mensagem.
“ESG não é mais tema acessório”
A afirmação é de Francisco André, embaixador da União Europeia no Brasil, durante o Conexão Eurocâmaras ESG | 2026, evento realizado neste mês em São Paulo, reunindo especialistas, empresários e executivos relevantes no país e na Europa para debaterem essa agenda.
Na opinião do embaixador, o ESG não pode mais ser enxergado como obstáculo, mas sendo parte integral das práticas de empresas que negociarem com países da União Europeia. “A sustentabilidade foi um dos nortes do recente acordo entre Mercosul e União Europeia e a agenda do comércio não pode se dissociar dela. É responsabilidade de todos nós tirar o máximo desse acordo”, afirmou.
Vale a pena?
Para a Petronect, com base no Rio de Janeiro, marketplace B2B responsável por conectar as demandas de contratação do Sistema Petrobras a fornecedores do Brasil e do mundo, tudo em um ambiente 100% digital, a resposta é positiva a essa questão.
A empresa conta com o Reconect, programa de responsabilidade socioambiental que reúne diferentes frentes de atuação e incentiva o envolvimento dos empregados em iniciativas voluntárias e ações de impacto social.
A Petronect reconhece que o momento é um divisor de águas para a sustentabilidade empresarial, já que as organizações com ESG no DNA estratégico encontram uma oportunidade de demonstrar que o compromisso não depende da popularidade de uma sigla.
“Já as empresas que incorporaram ESG apenas como resposta a uma tendência encontram hoje um ambiente menos tolerante a investimentos sem resultados claros”, endossa a empresa.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Magnific




