ESG

Segmento de games sobe de nível na jornada sustentável

Segmento de games sobe de nível na jornada sustentável - Portal Tec News

Foi-se o tempo em que jogar videogame se resumia a um grupo de adolescentes “passando de fases” na sala de casa. Hoje, o segmento de games e eSports cresce exponencialmente em todo o mundo todo, com destaque para o mercado nacional: segundo a Pesquisa Game Brasil, 75,3% dos brasileiros têm o hábito de consumir jogos digitais e 54,9% dos jogadores representam a classe média no território.

E quando o assunto é ESG, o setor não se restringe ao desenvolvimento de jogos e plataformas sob encomenda e a um nicho fechado, mas também se engaja a favor da sustentabilidade, inclusive encorajando os seus consumidores. Um dos grandes feitos é o movimento Playing for the Planet Alliance, criado com apoio da ONU Meio Ambiente (PNUMA) em 2019 e que une as maiores empresas globais para promover a redução da pegada de carbono e conscientizando os jogadores nas causas ambientais.

Outro meio é a produção dos dispositivos, consoles e demais itens usados nos jogos, com componentes feitos de materiais recicláveis e sistemas de upgrade que prolongam a vida útil, além de incentivar ações de logística reversa e circularidade de produtos. “Se hoje a gamificação é usada para estimular cliques e engajamento rápido, por que não usá-la para promover comportamentos mais conscientes? Se os jogos nos mantêm por horas conectados a narrativas, por que não inserir ali temas como consumo sustentável, impacto ambiental, descarte correto?”, endossa Luciana Lancerotti, consultora e palestrante na área de marketing, em artigo ao Economia SP.

 

Games: “zerando” no jogo da descarbonização

 

O compromisso também é realizado por meio de relatórios de sustentabilidade, a exemplo da Razer, que publicou o documento referente ao ano fiscal de 2025 (FY2025). A marca mundial em estilo de vida para gamers já conta com uma robusta campanha intitulada #GoGreenWithRazer (mais informações).

Entre os achados importantes do documento estão o alcance de 78% das metas de descarbonização da cadeia de valor estabelecidas pela Science Based Targets Initiative (SBTi), antecipando-se ao cronograma previsto para 2030; e o recebimento da classificação “A CDP” (saiba mais no Portal TECNEWS) por liderança ambiental.

“O progresso real no combate às mudanças climáticas vem de parcerias de longo prazo e da responsabilidade compartilhada em toda a cadeia de valor. Ao trabalhar em conjunto com o nosso ecossistema para melhorar a gestão das emissões, ampliar o conhecimento e colocar soluções práticas em ação, criamos um impacto que vai muito além das nossas próprias operações”, reforça Kenneth Ng, líder global de sustentabilidade da companhia.

Outra desenvolvedora que divulgou tal pronunciamento foi a Play’n GO, que afirma ter alcançado e excedido a sua meta de redução emissões de gases do efeito estufa (GEE) em 90% nos Escopos 1 e 2, atingindo 15 anos antes do Compromisso para o Clima, e 25 anos para 2050. De acordo com o comunicado, a empresa também alcançou uma redução de 69% nas emissões de Escopo 3 em relação ao ano base de 2023, com as emissões totais de materiais para 2025 mantidas abaixo de 500 MTCO2e.

“Todos os nossos parceiros, reguladores e jogadores se beneficiam quando os dados de sustentabilidade são credíveis, mensuráveis ​​e significativos. O relatório pretende contribuir para eles – e para nós mesmos – com informações que apoiem uma melhor tomada de decisões”, frisa Vanessa Björkbacka, diretora de Responsabilidade Social.

 

Copa do Mundo

 

Falando de esportes fora das telas, a Copa do Mundo 2026 terminou, mas o tema ainda rende assunto, principalmente no viés ambiental: trata-se do recorde de emissões, com índices que podem chegar entre 5 milhões e 9 milhões de CO2 lançados na atmosfera, mais do que o dobro dos registrados na Copa de 2022.

Para tanto, a Confederação Brasileira (CBF) lançou durante a COP30 em Belém o programa “CBF IMPACTA”, com a promessa de tornar o futebol nacional mais sustentável, com o foco em ser primeira confederação de futebol do mundo 100% neutra em emissões de carbono já em 2026.

Segundo matéria do Globo Esporte, as medições são feitas em parceria com o Instituto Climático VBH, com a fórmula que une a probabilidade de emissões antes, cálculo de compensação do que não possível evitar e inventário após as partidas. Em números, 72% das emissões de GEE estão relacionadas ao deslocamento, 16% de hospedagem, 9% da alimentação e 3% da geração de resíduos.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Ian van der Linde por Pixabay