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Bares e restaurantes entram em campo para uma Copa mais sustentável

Bares e restaurantes entram em campo para uma Copa mais sustentável - Portal Tec News

Na Copa do Mundo já é tradição assistir ao menos uma das partidas nas animadas Fan Fests ou em bares e restaurantes, mas isso não quer dizer que a sustentabilidade tenha que ficar fora de campo.

Afinal são inúmeras as formas de economizar recursos, manter a excelência do atendimento e gabaritar na jornada ESG. Para tanto, a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), disponibiliza em seu site uma trilha de conhecimento gratuito com conteúdo educativo, cursos e materiais voltados à adoção de práticas sustentáveis em negócios do setor.

A líder de ASG (Ambiental, Social e Governança) da Abrasel, Luiza Campos, destaca que atitudes simples podem tornar os estabelecimentos mais sustentáveis e contam pontos para a clientela, que está mais consciente e busca por espaços que estejam em consonância ambiental. Ela ressalta que essa cultura precisa estar arraigada e engajada por todos dentro das operações, para que realmente funcione. “Treinar colaboradores e criar processos claros são passos importantes para que as práticas sejam mantidas no dia a dia”, resume a gestora.

“Hoje, ser sustentável deixou de ser um diferencial e passou a ser uma expectativa para muitos clientes. Os empresários que se antecipam a essa demanda conseguem se destacar no mercado e construir uma relação mais sólida com o público”, arremata Campos.

 

Copa: Energia elétrica consciente, energia para torcer pelo time

 

O debate sobre meio ambiente e Copa já está dando o que falar, aliás: nesta edição, uma das maiores da história e com três países-sede (EUA, Canadá e México), as estimativas geração de CO₂ estão entre 7,8 e 9 milhões de toneladas, principalmente por conta dos deslocamentos aéreos das delegações e público. “Para efeito de comparação, os Jogos Olímpicos de Paris 2024 emitiram aproximadamente 1,75 milhão de toneladas, ou seja, a Copa de 2026 pode ser até quatro vezes mais impactante”, alerta análise do Cebds.

Enquanto os times jogam e as pessoas vibram nos jogos seja ao vivo no estádio, em um boteco ou mesmo em casa, a sustentabilidade precisa estar em campo. E um dos grandes “vilões” é a energia elétrica, por conta dos televisores ligados e sistemas de iluminação, tanto é que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) preparou uma operação especial para acompanhar os impactos da Copa do Mundo de 2026 sobre o consumo de energia no Brasil, com boletins de comportamento da carga no SIN (Sistema Interligado Nacional).

No caso dos bares e restaurantes, fornos, freezers e sistemas de climatização operam por longos períodos. Escolher formas mais sustentáveis de geração energética, como as renováveis, além de checar as condições de maquinário, podem melhorar e muito a conta de luz. “Quando falamos em eficiência energética, não estamos tratando apenas de uma pauta ambiental, mas também de gestão de custos. Pequenas mudanças no consumo e na escolha de equipamentos já trazem impacto positivo para o caixa do negócio”, pontua Luiza Campos, da Abrasel.

 

No meio de campo: os resíduos

 

Outro ponto é o acúmulo de resíduos já que são latas, garrafas, embalagens e copos descartáveis, fora itens decorativos, que passam a fazer parte das torcidas. Para Saville Alves, fundadora da SOLOS, startup especializada em soluções para economia circular e reciclagem inclusiva, esse período pode ser uma oportunidade para fortalecer hábitos, que vão desde oferecer produtos retornáveis, levar o copo nesses eventos, até firmar parcerias com cooperativas de catadores para destinação correta de resíduos.

“Cada embalagem descartada durante a Copa pode seguir dois caminhos: virar lixo ou retornar à cadeia produtiva. Quando escolhemos descartar corretamente nossos resíduos, contribuímos para a preservação ambiental, mas também para a geração de trabalho e renda de milhares de pessoas que atuam na reciclagem”, endossa a gestora.

Para se ter uma ideia, na Copa de 2014, realizada no Brasil, foram 320 toneladas de resíduos geradas apenas nos estádios ao longo dos 64 jogos. Já nas Fan Fests e áreas turísticas das cidades-sede, houve aumento de 15 mil toneladas no volume de resíduos urbanos produzidos durante o evento, informa um levantamento da SOLOS.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Ria Shah por Pixabay

 

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