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18 e 19 de março de 2026
Centro de Convenções Frei Caneca – SP

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Resíduos

SITEC: Cetrel discute como Total Waste Management pode se alinhar à Economia Circular

SITEC Cetrel discute como Total Waste Management pode se alinhar à Economia Circular - Fitec Tec News

Como parte da imersão do SITEC Ambiental 2026 – Seminário de Tecnologia e Soluções Ambientais para a Indústria (confira a cobertura neste link), o Portal TECNEWS faz um aprofundamento de cada palestra pertencente aos painéis realizados nos dias de evento (18 e 19 de março).

O painel Gestão de Resíduos – da responsabilidade de redução na geração à Economia Circular, cujo eixo central foi “Do problema à oportunidade: resíduo, água e energia – como a gestão ambiental vira lucro”, teve a palestra “Economia Circular Alinhado às Práticas de Total Waste Management (TWM; leia mais aqui)”, por Victor Alcantara Barbosa Cunto, engenheiro ambiental na Cetrel, companhia especializada em efluentes.

O foco foi elencar soluções para integrar a eficiência operacional e sustentabilidade nessas modalidades. O especialista iniciou a sua fala com uma reflexão sobre a destinação de um resíduo e seus impactos. “Quando nós jogamos um produto fora, para onde, na verdade, esse material vai? Porque vai para algum lugar e vai ter um impacto ambiental, vai ter uma perda de valorização naquele resíduo, que poderia ser utilizado para outra vertente”, ressaltou, destacando que o modelo atual de economia, ainda arraigado na linearidade, precisa se adaptar à circularidade, haja vista que os recursos que, outrora, tinham ainda uma ideia de “abundância” e estão cada vez mais escassos.

A crise climática (confira matéria especial aqui), pressões econômicas e regulatórias em um cenário mais globalizado elevaram o nível de preocupação e busca por oportunidades sustentáveis na cadeia de produção. “Grande parte dos resíduos não vai retornar para o ciclo produtivo. E o resíduo, de fato, vai representar uma perda energética dessa matéria-prima extraída. Toda aquela energia na produção do produto, além de horas de trabalho, vai ser perdida se não haver a gestão desse resíduo. E, no final do processo, se você incinerar ou aterrar também será custoso”, pontuou.

Para o gestor, o planejamento de processos, de design de produto e de reaproveitamento de materiais são os motores da circularidade. “Ela vem antes, através de toda uma cadeia de design, de produção, em que você vai ter o reaproveitamento, você vai ter a reutilização daquele resíduo. E, no final da cadeia, quando não houver mais possibilidades para a valorização daquele resíduo, você vai entrar com a reciclagem, que daí vai ter uma transformação do seu material”, arrematou.

 

Total Waste Management como indicador de circularidade

Na visão do especialista na Cetrel, a circularidade propõe um redesenho sistêmico dos processos operacionais dentro das organizações, no qual o TWM está vinculado a eliminar (ou reduzir ao máximo) os resíduos desde as suas concepções, o que, consequentemente, proporciona um fluxo exitoso das atividades.

“O resíduo deve ser analisado como um indicador de ineficiência de processo. E quais são as implicações estratégicas para as empresas quando há esse olhar de circularidade? Nós vamos ter uma redução de dependência de matéria virgem, o que abre um leque de oportunidades e adaptabilidades, por exemplo, na minha cadeia de suprimentos, tornando-a mais resiliente”, ressaltou, citando que com a prática é também possível uma redução de riscos regulatórios, além de se antecipar na redução de perdas.

“Nós precisamos entender os resíduos através de indicadores de geração por unidade produtiva. Entendê-los como possibilidades de redução na fonte. Onde está sendo gerado aquele material para que eu consiga desenvolver um novo processo. Por meio de conscientização e mudanças de fluxos eu posso, inclusive, evitar que esse resíduo não seja gerado agora e futuramente”, endossou.

 

Da checagem de perdas a formação de parcerias

Além da antecipação e planejamento, a circularidade deve estar alinhada com parcerias e troca de expertise. Para Cunto, levar esse tema a fornecedores, colaboradores, clientes e demais relações empresariais, traduzindo dados e apresentando práticas são maneiras de reinserir o que antes era considerado resíduo na cadeia produtiva.

“Quando eu tenho esses dados consolidados, eu consigo trazer esse olhar para o meu vizinho e falar da disponibilidade de resíduos através da sua reinserção de material dentro de um outro ciclo. Claro que esse processo não é tão simples de fazer, mas a implementação de um gerenciamento de resíduos torna o negócio mais estratégico”, salientou.

Uma das formas de arquitetar as boas práticas em redução de resíduos e trazer para a rota as parcerias está no mapeamento de fluxo dos materiais. Por meio da tecnologia, é possível rastrear e analisar toda a linha produtiva e monitorar quais são os resíduos que estão sendo gerados em determinados processos. “Fazer a sua quantificação por tipologia de resíduo. Por exemplo, quanto estou gerando de papelão para depois fazer um diagnóstico relacionado ao custo atrelado a esse processo”, disse.

A partir desses dados, Cunto continua, é também pertinente priorizar os resíduos que têm maior impacto econômico nas operações para utilizar as melhores soluções técnicas e levar ao mercado essas resoluções, reduzindo e também valorizando o que antes era considerado como inservível.

 

Valorização de resíduos

Um exemplo interessante de valorização de resíduo foi apresentado na palestra: o leite. Nessa indústria, seu primeiro subproduto é o queijo, que, por sua vez, tem o soro como excesso. “Historicamente, tinha-se esse custo de destinação. Ao longo do tempo, foi se desenvolvendo novas tecnologias e processos, e foi possível fazer com que se transformasse em pó”, explicou.

A partir desse produto que, outrora fora utilizado na alimentação animal, transformou-se em uma fonte de renda importante, já que o pó, conhecido por Whey Protein, após também novos processos e avanços de desenvolvimento e pesquisa, e amplamente utilizado atualmente. “Gosto de usar esse exemplo, porque ou que antes era um gargalo da indústria, se transformou em um produto muito valorizado e permitiu que tivesse um acesso maior a receitas. E é justamente aqui, com relação à gestão de resíduos, que nós temos que olhar através de uma ferramenta de inteligência operacional e de competitividade”, continuou.

Um case de sucesso que une parceria e transformação de resíduos vem de um cliente atendido pela Cetrel GRI, braço da companhia (saiba mais aqui), no setor automotivo, que desenvolveram um projeto de circularidade que transforma tampinhas plásticas em madeira plástica.

“O resíduo tem que deixar de ser enxergado como lixo e um problema isolado, e ser enxergado como um sinal estratégico. Através dele eu posso mudar o jogo, trazer novos produtos, novos modelos de negócios, e, melhor ainda, trazer uma solução para o nosso meio ambiente. Porque é naquilo que retiramos recursos naturais, que pode existir a possibilidade não haver mais crises climáticas tão fervorosas como acontecem hoje”, concluiu.

Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental 2026 ocorreu no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.

 

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Por Keli Vasconcelos – Jornalista

 

Foto: Sofia Jucon

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