Com uma série de normas e regramentos no âmbito ESG, bem como a crescente pressão pelo cumprimento de metas climáticas e transparência ambiental, trouxe ao mercado a busca por cursos de formação técnica voltada à implementação dessas agendas.
Para suprir tal lacuna, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) lançou em abril a UniABNT, universidade corporativa voltada à qualificação profissional com base em normas técnicas, uma evolução da área de capacitação da ABNT já existente, que formou mais de 44 mil profissionais desde 2006 e passa a incorporar certificação acadêmica aos seus cursos.
Em parceria com o Centro Universitário Dinâmica das Cataratas (UDC), instituição credenciada pelo Ministério da Educação (MEC), UniABNT contará na primeira grade com disciplinas voltadas à elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa, com base na ABNT NBR ISO 14064, e à economia circular, alinhados à série ABNT NBR ISO 59000, que orienta organizações na transição para modelos produtivos mais eficientes e sustentáveis.
“Temas como emissões e economia circular passaram a fazer parte da estratégia das empresas e das cadeias produtivas. Isso exige formação técnica consistente, capaz de traduzir normas e boas práticas em ação concreta. Sustentabilidade não se consolida sem método, sem padronização e sem capacidade de execução. Investir em formação técnica é parte essencial desse processo”, afirma Mario Esper, presidente da ABNT.
Panorama favorável – e desafiador para agenda ESG
A iniciativa chega em um cenário mais desafiador às empresas que abraçam a agenda ESG, impulsionada diretamente pelo alinhamento regulatório com normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários, mais aqui) e do Banco Central (BCB).
A mais recente pesquisa ESG Latin America Landscape 2025, feita pela consultoria RSM, revela que 85% das empresas brasileiras afirmam que avançar em governança corporativa e/ou gestão de riscos ESG é sua prioridade máxima para este ano. Outro achado envolve letramento e conhecimento: 50% admitem ter dificuldades em medir KPIs ESG ou carece de capacidade técnica interna; já 34,8% apontam a complexidade dos indicadores como barreira e 28,3% citam a falta de uma equipe qualificada.
E isso não está apenas aqui: o estudo informa que em toda a América Latina, somente 40% das empresas têm uma liderança dedicada à sustentabilidade. “Isso gera um cenário onde a cobrança por conformidade é alta, mas a capacidade interna de entrega ainda está em formação. Sem uma liderança definida e dedicada nas empresas, muitas acabam tratando o tema apenas sob a ótica defensiva do risco e não de oportunidade de negócio”, observa Marcelo Conti, sócio-líder de Consultoria e ESG da RSM no Brasil, ao site COMEX.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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