A jornada da descarbonização no Brasil e os novos rumos na inserção de energias renováveis aponta para a eletrificação como o desafio da vez. Aliás, falamos anteriormente sobre as projeções para 2055 (mais neste link), com participação das renováveis superando 80% da matriz nacional.
Monitorando esse panorama, o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estima um salto na demanda pela eletromobilidade, de 1 TWh em 2026 para 15 TWh em um prazo mais curto, ou seja, dez anos.
Um dos motivos é a popularização dos veículos elétricos, o que reduziu o preço e expandiu a infraestrutura de pontos de recarga, informa matéria do site Eixos. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o número de eletropostos em todo o Brasil cresceu em torno de 77%, passando de 16.880 para 29.866.
Divulgado para consulta pública, o documento se aprofundou no transporte, com índices que vão de 9,4 TWh para veículos leves, 4,6 TWh para ônibus urbanos e 0,7 TWh para caminhões, além de elencar que os data centers (confira matéria exclusiva no Portal TECNEWS Ambiental) e a produção de hidrogênio renovável alavancarão o consumo de eletricidade no país, com taxa média de 3,4% ao ano até 2036, chegando a 979 TWh.
Outro achado – e demanda – está nas formas de armazenamento para uma transição justa e acessível a todas as camadas da sociedade. “O desafio passa a ser não apenas quanto produzir, mas também quando, onde e como disponibilizar e consumir a energia”, resume o comunicado.
O plano prevê ainda um alargamento da transmissão para acompanhar esse processo transformador do sistema elétrico, com mais de 31,9 mil quilômetros de linhas e 99,6 mil megavolts-ampères (MVA) de capacidade de transformação em uma década.
Nordeste em evidência nas recargas
Um dos grandes feitos envolve os carros elétricos, já que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registrou pela primeira vez a marca de 1 milhão de unidades vendidas desde o início da série histórica, em janeiro de 2012, e com 53.126 emplacamentos.
Ricardo Bastos, presidente da ABVE, disse à Veja Negócios, que esse marco prova que o país já ingressa numa nova etapa da evolução do mercado automotivo no território.
O Nordeste também comemora tais frutos: segundo pesquisa da ABVE, em parceria com a Tubi Mobilidade, no ranking nacional, a cidade de Fortaleza está em sétimo lugar no número de eletropostos (498). O primeiro lugar é capital paulista (3.101), seguido de Brasília (1.225), Rio de Janeiro (1.071), Curitiba (796), Goiânia (531) e Porto Alegre (505). O Nordeste também figura o terceiro maior market share do Brasil, com 18,7% da fatia.
Ao Diário do Nordeste, Daniel Carvalho, CEO da rede de eletropostos DCC Energy, o perfil da experiência de consumo está amadurecendo. Na opinião do executivo, antes os motoristas recarregavam o carro conforme a disponibilidade de serviços; já hoje se fidelizam em determinadas redes, por levarem em consideração o funcionamento do sistema utilizado, a localização, segura e leque de opções e preços.
Veículos elétricos usados
Outro impulso é a aquisição de usados eletrificados. A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) registrou que no acumulado do ano até setembro, os elétricos e híbridos já representam 1,62% das vendas dos seminovos e usados em todo o país.
Fazendo um recorte, segundo o Sincodiv-RS/Fenabrave, que representa concessionárias e distribuidoras de veículos no Rio Grande do Sul, essa categoria responde por 25% das vendas de automóveis e comerciais leves novos no Estado.
Rodrigo Dotto, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Rio Grande do Sul (Agenciauto/Fenauto-RS), explica que a oferta de seminovos está em crescimento conforme aumenta a frota de eletrificados zero quilometro. “Na nossa operação, os eletrificados já representam de 5% a 7% das vendas, o que mostra que existe demanda, mesmo com a disponibilidade ainda limitada de usados”, frisa, ao GZH.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: senivpetro/Magnific




